ARQUIPÉLAGO – Entrevista

Rampa Skate – © Rui Soares/ARQUIPÉLAGO – Centro de Artes Contemporâneas

O ARQUIPÉLAGO é um Centro de Artes Contemporâneas situado na Ribeira Grande, em São Miguel, nos Açores. Fátima Marques Pereira é a sua directora. Conversámos com ela sobre o espaço que a estrutura ocupa nos Açores, sobre os desafios que a localização traz, sobre o envolvimento com a população local e sobre a programação para 2018.

O Arquipélago veio preencher um vazio que havia nos Açores?
O ARQUIPÉLAGO é um CENTRO DE ARTES CONTEMPORÂNEAS, surge como um projeto transdisciplinar que tem por ambição a Criação, a Produção e a Difusão da Arte Contemporânea e, consequentemente, a Criação de Públicos. Como tal, foi pensado desde a sua origem (programa arquitetónico) como um espaço que abarcasse as diferentes áreas artísticas e que o mesmo, respondesse às necessidades e “desejos” de um equipamento de arte contemporânea. O ARQUIPÉLAGO tem cerca de 12.000m2 de área total e 9.000 m2 de área coberta com espaços distintos, que vão desde a área expositiva, passando pelas áreas das Residências Artísticas, das Artes Performativas, pela Biblioteca, pelo Serviço Educativo, pelas Reservas, e por áreas como as Caves, as Células e a Blackbox, espaços transversais e que por isso permitem programar diferentes manifestações artísticas e culturais. Neste sentido, o ARQUIPÉLAGO, acima de tudo, preenche um lugar singular nos Açores,  exatamente pela sua especificidade conceptual e formal enquanto equipamento cultural e artístico contemporâneo. De facto, um espaço com as características deste CENTRO DE ARTES CONTEMPORÂNEAS não existia neste Arquipélago dos Açores.

Que desafios enfrentam por estarem na Ribeira Grande, S. Miguel?
Os desafios são uma constante deste CENTRO DE ARTES CONTEMPORÂNEAS tão recente como o ARQUIPÉLAGO. Porque na realidade existem, paralelamente, desafios aos níveis da gestão cultural, da programação, da produção artística, e existem, ainda, desafios humanos, talvez sejam estes, os desafios que mais ocupam o “espaço” e o “tempo” de quem trabalha neste CENTRO DE ARTES CONTEMPORÂNEAS.
De facto, este espaço de artes contemporâneas está situado no meio do Atlântico, numa ilha de origem vulcânica, com cerca de 62 quilómetros de comprimento e 16 quilómetros de largura, e com cerca de 138 mil habitantes (dados de 2011). Para além disso, o ARQUIPÉLAGO – Centro de Artes Contemporâneas, localiza-se, numa das 9 ilhas deste ARQUIPÉLAGO, em S. Miguel, na cidade da Ribeira Grande com uma população de cerca de 32 mil habitantes (dados de 2011). Olhamos para os desafios, não de uma forma fragmentada, mas sim de uma forma global, muito mais quando pensamos este CENTRO DE ARTES CONTEMPORÂNEAS como uma “janela”, uma “janela que dá para o mundo”, tal como Italo Calvino afirma no livro Palomar .
Sempre pensámos este Espaço de Artes como um Espaço de Todos e para Todos sem exceção, o que nos leva a uma “inquietação” diária, e portanto a um desafio diário, já que não estamos situados numa região, ou numa cidade com tradição em Arte Contemporânea.
Sempre quisemos que o ARQUIPÉLAGO fosse um espaço de Partilha. Desde que aqui estamos, que não nos conseguimos “libertar” de alguns pensamentos que, intrinsecamente, consideramos desafios, entre muitos, os seguintes: como aproximar a população local ao ARQUIPÉLAGO; como envolver a população local no trabalho com os artistas; como criar Redes e Parcerias internacionais; como dar a conhecer ao Mundo o ARQUIPÉLAGO; como partilhar o que todos construímos no ARQUIPÉLAGO, e o todos, aqui, refiro-me ao trabalho que os artistas aqui desenvolvem e apresentam, e como internacionalizar os artistas.
Desde o primeiro dia que aqui cheguei que penso no imenso desafio que é este belíssimo espaço de artes contemporâneas, particularmente pela sua peculiar e igualmente bela localização: ARQUIPÉLAGO dos Açores.

Quais as principais valências que o centro tem?
As Residências Artísticas são uma das maiores valências deste Centro de Artes. O ARQUIPÉLAGO é um Centro de Criação, Produção e Difusão de Artes Contemporâneas é um Espaço privilegiado, também, pelo desenho da sua arquitetura. O esqueleto arquitetónico do ARQUIPÉLAGO permite uma logística exemplar para responder à transversalidade, à transdisciplinaridade, à independência, ao pensamento, à multi formalização das Artes Contemporâneas e à mutabilidade, à transformação e à liberdade da sociedade do século XXI.
Neste sentido, o ARQUIPÉLAGO não só tem uma série de espaços para os artistas desenvolverem os projetos, como dispõe das suas oficinas, dos seus equipamentos, e dos colaboradores deste Centro de Artes Contemporâneas para apoiarem no que for necessário para a concretização da criação e/ou produção que os artistas estão a realizar em Residência. Os artistas em Residência podem optar por diferentes espaços de trabalho, sugeridos consoante a especificidade artística do projeto. No final das Residências, alguns destes artistas apresentam, neste Centro de Artes, o trabalho concebido em Residência e, muitos deles, irão apresenta-los, igualmente, noutros equipamentos culturais. Deste modo, o ARQUIPÉLAGO distingue-se pelas condições que proporciona aos artistas para desenvolverem os seus projetos artísticos em Residência. Se por um lado, conseguimos reunir as necessidades logísticas e humanas, por outro o ARQUIPÉLAGO possui as características espaciais, assim como a beleza natural de um território para a Criação e Produção nas Artes Contemporâneas.
O ARQUIPÉLAGO permite – pelas suas condições e características, e pela sua atuação de total partilha e apoio aos artistas – uma total liberdade de criação e produção artísticas.
Queremos que este Centro de Artes Contemporâneas seja paralelamente um espaço de acolhimento para a criação, produção e difusão de artes contemporâneas, e um espaço onde a reflexão cognitiva e sensorial, e o sentido humano estejam em permanente diálogo.

“Um Ensaio sobre Corpos”, de Catarina Medeiros – © Rui Soares/ARQUIPÉLAGO – Centro de Artes Contemporâneas

Como é que a população local e do resto da ilha se envolvem? O vosso serviço educativo trabalha diretamente com as escolas?
A importância da Comunidade para a Programação do ARQUIPÉLAGO assume várias vertentes. Vertentes artísticas, culturais, sociais e pedagógicas. Desde o início do ARQUIPÉLAGO que a Formação de Públicos é o ponto fundamental, assim como o envolvimento dos artistas açorianos na Programação, e o envolvimento direto da população local em projetos artísticos.
O Serviço Educativo através da Programação que desenvolve a partir da Programação global do ARQUIPÉLAGO, e de atividades que constrói para responder às diferentes necessidades existentes neste território, tem vindo, cada vez mais, a aproximar-se da Comunidade e do público em geral e em particular da Comunidade escolar.
O Serviço Educativo organiza, também, uma série de atividades que são pensadas a partir da geografia deste território proclamando a potencialidade física, estética e histórica desta única Paisagem e partilhando-a com a Comunidade. Aliás, em algumas destas atividades
criámos Parcerias Locais que estão diretamente ligadas com o território. Como exemplo, tivemos: “Erguer Pontes”, uma atividade estruturada no ano de 2017, o Ano Internacional do Turismo Sustentável. Esta atividade teve como base a Ponte dos Oito Arcos, monumento emblemático da cidade da Ribeira Grande, com o intuito de sensibilizar o público para a relevância que essas estruturas possuem no território. Associado a esta preocupação, pretendeu-se, ainda, aliar toda a carga simbólica que um monumento com este registo arquitetónico contém: união. Nesta visita-oficina contámos com a colaboração do historiador Mário Moura que, para além de ter contextualizado historicamente todas as pontes da cidade da Ribeira Grande, fez a visita-guiada com o apoio da Associação de Surdos da Ilha de São Miguel. A atividade “Erupção em Papel – Trilho Pico Queimado”, foi desenvolvida entre o ARQUIPÉLAGO – Centro de Artes Contemporâneas, o Centro de Interpretação Ambiental da Caldeira Velha Velha e o Geoparque Açores – Geoparque Mundial da UNESCO, que por sua vez convidaram os participantes a recordar a erupção de Julho de 1563. Os intervenientes realizaram um trilho, onde tiveram a oportunidade de conhecer a história, a geodiversidade e biodiversidade do Pico Queimado, bem como registar todos esses momentos através do desenho. Nesta atividade participaram, ainda os Urban Sketchers, “coletivo de autores portugueses que desenham em diários gráficos as cidades onde vivem, os sítios por onde viajam”.
Para o ARQUIPÉLAGO a formação de públicos é um objetivo prioritário dada a sua contextualização geográfica. Nesse sentido, se é verdade que estamos, sistematicamente, a ser solicitados pelas escolas e IPSS para Visitas Guiadas às exposições que apresentamos, é, igualmente, verdade que estas instituições são uma presença constante nas atividades que o Serviço Educativo desenvolve. De facto, consideramos que esta aproximação com a Comunidade escolar permite, paralelamente, a sensibilização e o acesso à arte e à cultura contemporâneas.
Nas Residências Artísticas o envolvimento da Comunidade concretiza-se a diferentes níveis. Por um lado, propomos aos artistas que desenvolvam, para além da própria Criação/Produção, um projeto educativo e uma apresentação pública da Criação que estão a desenvolver, desconstruindo todo o processo criativo, o que permite à população local e ao público em geral sentir uma aproximação “real”, cognitiva e sensorial, ao objeto artístico resultante da Residência Artística. Por outro, temos vindo a desenvolver projetos “fora de portas”. Se a Comunidade local não se pode deslocar ao ARQUIPÉLAGO, os artistas e a equipa do Serviço Educativo deste Centro de Artes Contemporâneas deslocam-se. Dou o exemplo de alguns projetos, nomeadamente, o projeto com o Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada onde realizámos uma Residência Artística de Movimento, da coreógrafa Isabel Barros com os reclusos, e uma apresentação do documentário: “3 horas para amar” sobre a visita íntima de um outro estabelecimento prisional português, da jovem realizadora Patrícia Nogueira.
Saliento, ainda, que foram vários os artistas que já convidaram a Comunidade e em particular a população local para participarem nos seus projetos. Destaco, o espetáculo, “Um ensaio sobre corpos” da coreógrafa e bailarina açoriana Catarina Medeiros que foi apresentado no
ARQUIPÉLAGO no passado dia 18 de maio, espetáculo esse que foi o resultado da Residência Artística “Arte para Todos” da referida coreógrafa. Esta Residência Artística decorreu durante dois meses e meio no Centro de Atividades Ocupacionais (C.A.O.) da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande, com o objetivo de introduzir a dança e o movimento a pessoas com dificuldades especiais.
Gostaria de referir, ainda, uma outra iniciativa que, de facto, chamou a população local, nomeadamente a Comunidade de Skaters ao ARQUIPÉLAGO. Assim, em 2017 convidámos o artista André Laranjinha e a BlackSand Box para desenharem e construírem uma rampa de
skate para este Centro de Artes Contemporâneas. Aliás, este ano, dado o movimento dos skaters em torno da rampa do ARQUIPÉLAGO, vamos receber a Etapa Especial do circuito Regional de Skate. Com esta iniciativa, conseguimos aproximar a Comunidade de Skaters à
arte e cultura contemporâneas, uma vez que ao virem para a rampa, visitam as exposições, para além de que muitos deles passaram a ser frequentadores assíduos da Biblioteca. A criação de Parcerias é fundamental, não só para a essência e identidade do ARQUIPÉLAGO,
como também para a conceptualização e formalização de uma Programação Artística multidisciplinar Internacional. Pela dinâmica da programação e do reconhecimento da mesma, temos sido procurados por Entidades culturais e artísticas locais, nacionais e internacionais, o que permitiu a criação de algumas Parcerias. Aqui, não posso deixar de referir a importância de duas Parcerias locais, de dois Projetos internacionais, que o ARQUIPÉLAGO encetou desde o seu início: Walk&Talk, Festival de Artes e TREMOR, Festival de Música. Se
por um lado, são de extrema relevância estas Parcerias por serem projetos criados e desenvolvidos no Arquipélago dos Açores, o primeiro já vai na 7ª edição e o TREMOR na 4ª edição. Por outro, penso que são projetos como estes que possuem uma dinâmica contemporânea internacional, não só ao nível da programação que nos apresentam, como também ao nível dos públicos que aparecem nestes Festivais que, conjuntamente, com o ARQUIPÉLAGO – Centro de Artes Contemporâneas mudam o panorama da arte contemporânea nesta ilha e neste Arquipélago dos Açores.

Como funcionam as residências artísticas?
As Residências Artísticas têm vários formatos.
Temos Residências Artísticas onde abrimos uma open call , os artistas concorrem e são selecionados por um júri. A título de exemplo, no final do ano de 2016 abrimos uma open call internacional para uma Residência Artística de artes visuais que designámos: Terra Incógnita. O júri selecionou três artistas para residirem um mês, durante o ano de 2017, cada um deles nas ilhas de São Miguel, Terceira e Flores. O objetivo da Residência Artística “Terra Incógnita” foi o desenvolvimento de um trabalho artístico tendo como referências o contexto histórico, social, cultural, económico e geográfico de cada uma das ilhas e do Arquipélago dos Açores.
Um outro formato é o seguinte: convidamos um ou mais Curadores para o desenvolvimento de um projeto artístico, e o(s) mesmo(s) selecionam os artistas para as Residências Artísticas. Aqui podemos dar o exemplo do GEOMETRIA SÓNICA, projeto que está a decorrer
atualmente no ARQUIPÉLAGO. Para além dos formatos referidos anteriormente, muitos artistas, e de diferentes áreas artísticas, têm apresentado espontaneamente propostas para desenvolverem Residências Artísticas neste Centro de Artes. Analisamos as propostas e selecionamos de acordo com os critérios da Programação do ARQUIPÉLAGO.
Acresce as Residências Artísticas que temos com os nossos Parceiros, onde os mesmos apresentam-nos os artistas para o desenvolvimento das respetivas Residências.
Naturalmente, todas as Residências Artísticas têm um Regulamento, Condições e Recursos específicos adequados ao projeto artístico que vão desenvolver.

Fátima Marques Pereira, Directora do ARQUIPÉLAGO

O que destacam da programação para o resto de 2018?
Destacamos o GEOMETRIA SÓNICA, projeto que está a decorrer atualmente no ARQUIPÉLAGO que nasce de uma Parceria que estabelecemos com RTP – RÁDIO E TELEVISÃO DE PORTUGAL.
GEOMETRIA SÓNICA privilegia as grandes valências deste CENTRO DE ARTES CONTEMPORÂNEAS: ESPAÇO EXPOSITIVO E PERFORMATIVO; PLATAFORMA DE CRIAÇÃO E PRODUÇÃO e PLATAFORMA EXPERIMENTAL E DE INVESTIGAÇÃO.
Sendo o ARQUIPÉLAGO um CENTRO DE ARTES CONTEMPORÂNEAS que melhor poderíamos “oferecer” aos Artistas para trabalharem, do que um dos Grandes Arquivos Sonoros e Visuais do século XX de Portugal, o ARQUIVO AUDIOVISUAL DA RTP particularmente quando estamos em 2018 Ano Europeu do Património. Desta forma nasceu o GEOMETRIA SÓNICA. Convidámos para curador Nuno Faria e para co-curador Nicolau Tudela. Pensámos que deveríamos estruturar um projeto a partir de pilares que cimentem uma dimensão plural, ou seja, que o mesmo tenha uma extensão cultural/patrimonial, uma extensão artística e uma extensão social. E, que o conceito do GEOMETRIA SÓNICA seja,  arcadamente, desenhado pela RESIDÊNCIA ARTÍSTICA sustentada por uma INVESTIGAÇÃO através de um PATRIMÓNIO AUDIOVISUAL ÚNICO, que nos leva a uma PRODUÇÃO ARTÍSTICA EXPOSITIVA E PERFORMATIVA. GEOMETRIA SÓNICA é um projeto com uma singularidade artística, cultural e social única, porque, quer em termos conceptuais, quer em termos formais alcança uma amplitude que vai muito para além de um mero momentum expositivo e performativo, não só porque o cerne da Produção Artística centra-se no ARQUIVO DE SOM E IMAGEM DA RTP, mas também porque os Artistas vão trabalhar a partir de uma Memória Sonora e Visual, que por si só já faz parte da Memória de Portugal, produzindo eles próprios uma ou mais peças com um estatuto de transitoriedade temporal e espacial que potencia e expande, por um lado a História da Imagem e do Som do século XX em Portugal, e por outro metamorfoseia objetos imagéticos e sonoros em Arte Contemporânea. E, assim, se vai construindo a Contemporaneidade, relevando e revelando o Presente e o Futuro, nunca esquecendo as Referências, o Passado.
GEOMETRIA SÓNICA é um projeto de Arte Contemporânea que trabalha entre outros Conceitos, a Imagem e o Som em Memória de Memórias. Os séculos XX e XXI libertaram a imagem de narrativas exclusivas, de leituras encarceradas dentro dos seus próprios objetos
e lugares, permitindo “reapropriações”, “resignificações” e reinterpretações criando, inclusivamente novos ou renovados “universos”.
Ao Programar este projeto GEOMETRIA SÓNICA, pensámos, também, numa série de questões que dialogam diariamente com o nosso quotidiano pelo lugar onde estamos inseridos, e pela condição arquipelágica que o mesmo não nos faz esquecer. Por isto, a Atmosfera está tão
presente nas nossas vidas. Por isto, para nós que estamos Aqui:
“O mundo é tão vasto, espaçoso,
O céu tão amplo e majestoso!
Tudo quer ver o meu olhar,
Mas não sei como o imaginar”. (Johann Wolfgang Goethe – O Jogo das Nuvens . Lisboa: Assírio & Alvim, 2003, p. 79)
Por isto, pensámos, enquanto espaço artístico, no nosso desejo de uma Produção Artística que atue muito para além da Paisagem, muito para além da geomorfologia e que acima de tudo atue numa total liberdade conceptual e formal. Aqui, os sentidos são a constante, “Dispomos de cinco sentidos com os quais experimentamos e saboreamos o nosso ambiente.
A visão é provavelmente o sentido mais desenvolvido, embora a nossa audição seja mais afinada do que imaginamos. Devido ao ambiente visualmente orientado em que vivemos, prestamos pouca atenção à nossa audição e não reconhecemos o seu valor. Quando ficamos
temporariamente privados da nossa visão, percebemos o quão refinada pode ser a perceção auditiva. A audição possui um senso de correspondência espacial diferente da visão. Olhamos diretamente para o que vemos e ligamos esta impressão às imagens previamente
armazenadas na nossa memória. A perceção espacial resulta da leitura sequencial destas imagens, semelhante à sequência de quadros que compõem um filme. […].”(Julia Schulz-Dornburg – Arte e Arqitectura nuevas afinidades. Barcelona: editorial Gustavo Gili, SA, 2002, p.64)
GEOMETRIA SÓNICA, conta com a participação dos seguintes artistas: Mariana Caló e Francisco Queimadela; Jonathan Saldanha; Pedro Tudela; Miguel Leal; Pedro Tropa; Ricardo Jacinto; Tomás Cunha Ferreira; Mike Cooter; Francisco Janes; Laetitia Morais; Sara Bichão e Manon Harrois.
Foi com a EXPOSIÇÃO ÍNDICE que este projeto inaugurou no passado dia 12 de Maio. Os artistas estarão em Residência Artística no ARQUIPÉLAGO, e o resultado final será apresentado em 3 ciclos expositivos que decorrerão até março de 2019. Paralelamente aos ciclos expositivos, iremos ter um ciclo performativo.

Comments

  1. Dolores de Matos says:

    Que bom!!! Parabéns Açores!!

Deixa o teu Comentário

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.