Duarte Temtem (Festival Literário da Madeira) – Entrevista

O Festival literário da Madeira decorre de 14 a 19 de Março 2017 no Funchal. Conversámos com um dos membros da organização, Duarte Temtem, para saber mais sobre a edição deste ano. Fez-nos um balanço dos anos anteriores,  falou-nos de como é atrair grandes nomes da literatura, e do que destaca no Festival.

O Festival vai na 7ª edição. Que balanço pode fazer?
O balanço é muito positivo.
O Festival Literário da Madeira (FLM) tem vindo a conquistar o seu espaço ao longo do tempo. As primeiras edições são sempre as mais difíceis. Após seis anos, podemos dizer que já há um público que acompanha o FLM. O apoio é cada vez maior. Isso dá-nos muito alento para continuar, pois o público faz parte do FLM.

Foi difícil atrair vencedores do Prémio Nobel e do Pulitzer para participar?
Falamos de autores solicitados por muitos eventos em diversos países, o que dificulta, por várias razões, a aceitação do convite. No entanto, isso motivou-nos ainda mais. O público do FLM merece ver os melhores autores nacionais e internacionais. A Svetlana Alexievich, por exemplo, já havia sido convidada para a edição de 2016. Uma incompatibilidade de agenda invalidou a sua participação mas cá estará, esta semana, como nos assegurou que estaria. É uma grande honra. É com o pensamento nos madeirenses que trabalhamos para trazer autores consagrados.

O tema desde ano é “Literatura e a Web – entre o medo e a liberdade”. O que esteve na base desta escolha?
O falecido Zygmunt Bauman, que esteve no Festival Literário da Madeira em 2013, abordou a questão das redes sociais em várias entrevistas. O sociólogo disse que eram “armadilhas”. Concorde-se ou não, parece pertinente abordar a questão de comunidade e identidade numa época em que o virtual rivaliza com o real. Será que temos mais liberdade? Temos motivos para ter medo de invasões de privacidade, ou de difusão de ideias mais radicais? A relação dos autores com os leitores sofreu alterações? Qual é o impacto nos temas e nos géneros da literatura? Existem estas e muitas outras interrogações a debater nesta edição.

Qual a principal dificuldade em organizar um evento literário na Madeira?
O grau de dificuldade é elevado. Organizar um festival desta importância é mais fácil em Lisboa do que no Funchal. A insularidade traz problemas, como bem sabemos. O apoio das instituições e o trabalho da equipa ajudam a ultrapassar as dificuldades.

Como caracteriza o publico que assiste ao evento?
Podemos falar de um Prémio Baileys, de um Pulitzer ou de um Nobel, mas a presença mais importante do FLM é o público.
Felizmente o interesse tem vindo a crescer e a abranger diversas faixas etárias.
Há uma grande motivação dos alunos nas escolas. Os contactos com os alunos são de especial interesse e muito enriquecedores. O encontro com o autor é algo que lhes fica na memória. E os autores gostam muito de conversar com os leitores mais jovens.

O que destaca da edição deste ano?
O público. Sempre o público. A presença de Svetlana Alexievich, Adam Johnson, Eimear McBride tem como objectivo proporcionar aos madeirenses encontros que lhes fiquem na memória. São autores que nunca participaram num festival português. E ainda há Pepetela, Marcelino Freire, que é também uma estreia absoluta em festivais literários nacionais, Frederico Lourenço, Valter Hugo Mãe… Autores de excelência para um público exigente e que merece o melhor.

Sabe mais sobre o Festival Literário da Madeira em http://www.festivalliterariodamadeira.pt/

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