Pau Duro Coração Mole

Quando:
13 de Outubro, 2017@11:00 am_8:00 pm
2017-10-13T11:00:00+01:00
2017-10-13T20:00:00+01:00
Onde:
FOCO
Rua da Alegria 34
1250-096 Lisboa
Portugal
Custo:
Grátis
Contacto:
FOCO
910 867 976

“PAU DURO CORAÇÃO MOLE” – Exposição colectiva
de 04 – 28 de Outubro em FOCO – Rua da Alegria 34, Lisboa
curadoria de Thomas Mendonça

“PAU DURO CORAÇÃO MOLE” reúne um conjunto de quatro artistas – Christophe dos
Santos, João Gabriel, Rui Palma e Thomas Mendonça – cujas obras abordam e reflectem
diferentes questões queer, de sexualidade e género. Esta exposição fala sobre sexo, amor,
amor sem sexo e sexo sem amor. Fala de sensibilidade e de beleza. Fala de brutalidade, de
força, de resistência, de militância.

(Christophe dos Santos) “Чеченская мода” (“Chechenskaya moda” do russo: moda
Chechena) é um vídeo-performance cujo objectivo é destacar os invisíveis, aqueles que não
podemos ver, que não queremos ver. O estilo vintage – aplicado ao vestuário, mobiliário e
peças decorativas – corresponde a uma estética oriunda das décadas compreendidas ente
1920 e 1960. Será que as autoridades chechenas demonstram bom gosto restaurando a
electrocussão como tratamento? Na verdade, é difícil imaginarmos que tais actos, que
constituem uma violação tão grave dos direitos humanos, ainda sejam possíveis em 2017.
Recorda-nos que o ódio contra a comunidade LGBTQ+ persiste, podendo sempre intensificarse
e/ou enraizar-se profundamente na nossa sociedade. É a partir desta pesquisa que
Christophe decide estetizar essa nova moda chechena. No vídeo, existe a intenção de
camuflar o seu corpo unindo-o com a parede, tornando-o parede. Transformar-se num desses
pequenos fantasmas, fazer desses choques eléctricos uma dança, dessa pulsação um canto.
Ser sensual, sexual, desgraçado, condenado. Ser livre.

(João Gabriel) Acontece tudo muito naturalmente na pintura de João Gabriel, a única e
simples intenção é a de representar o corpo masculino – porque é o corpo masculino que,
para João, é erótico. A pornografia aparece, nesse sentido e em primeiro lugar, porque há nos
filmes dos anos 70/80, uma beleza e uma força erótica que os filmes recentes perderam. Mas
a pornografia não é de todo a bengala teórica deste trabalho. O assunto central é o erotismo ,
e mais concretamente, a representação das relações de desejo entre rapazes e do próprio
desejo que leva João a pintar o que pinta.

(Rui Palma) “In the darkroom beware of pickpockets” (do inglês: “No quarto escuro, tenha
atenção aos carteiristas”) é um aviso que costuma estar à entrada de espaços de cruising.
Nesta série, Rui Palma ilumina quartos escuros, fotografando bares, discotecas, saunas, ruas,
locais de engate e outros lugares onde corpos se envolvem em rituais de sedução, se exibem
ou se querem confundir com a sombra. Na série são explorados temas como a sexualidade, o
género e a identidade.

(Thomas Mendonça) “SRY NOT SORRY” baseado no gene SRY (do inglês Sex-determining
Region Y) que é a região do cromossoma Y que determina o desenvolvimento dos genitais
masculinos nos mamíferos terrestres (marsupiais e placentários), e da expressão “Sorry, but
not sorry” (outra vez do inglês: “Lamento, mas não lamento”) provida de sarcasmo num
pedido de desculpas pouco sincero ou numa situação na qual não podemos assumir qualquer
culpa pois não existe maldade ou sequer poder de decisão na acção pela qual pedimos
perdão. Trata-se de uma série de esculturas inspiradas nos órgãos sexuais masculinos,
representando uma panóplia de possíveis falos estilizados a meio caminho entre um pénis
futurista e um dildo disfuncional. São seres autónomos do resto da anatomia humana. Têm
mamilos, caras e orifícios, têm alma, ideias e sistema respiratório. Parecem bonecos, coelhos
e cactos, parecem sex toys. São bege, salmão e cor-de-rosa, uns mais claros que outros,
alguns são dourados.

Christophe Dos Santos (1992), performer, artista plástico, activista licenciado pela ESAD de
Grenoble (França), participou na U.N.T.R.E.F (Buenos Aires) e frequentou o programa
MAUMAUS (Lisboa). É membro do colectivo MARTE e coordenou o festival Divergencia do
Centro Cultural Matienzo (Buenos Aires). Desenvolveu as suas referências através de
diferentes eras e médias, usando principalmente a performance para exceder a sua própria
realidade física. Questiona os códigos sociológicos e morais da sociedade contemporânea
actual – desmistificando assim o status do artista – concentra-se no cruzamento entre ciências
sociais e ficção, criando um fosso entre fantasia e realidade.

João Gabriel (1992), Artista plástico licenciado e mestre pela Escola Superior de Artes e
Design de Caldas da Rainha. Tem desenvolvido trabalho em pintura cuja temática se centra
principalmente na representação do corpo masculino. Destacam-se entre as exposições nas
quais tem participado: (2017) Prémio Novos artistas Fundação EDP, MAAT (Lisboa); Paul &
Bobby, Bregas (Lisboa); (2016) Cave, Galeria Solar (Vila do conde); A Meio de Qualquer
Coisa, Galeria Graça Brandão (Lisboa) e 3×3, Galeria 111 (Lisboa).

Rui Palma (1993), fotógrafo, frequentou o curso de fotografia do Ar.Co.
Fotografando maioritariamente em película, explora a fronteira entre o documental e a ficção.
Tem vindo a desenvolver um corpo de trabalho ligado a questões queer, de sexualidade e de
género onde a noite é muitas vezes o espaço da acção. Fotografou para revistas
como Dif, Umbigo, Prinçipal e Vogue Portugal. O seu trabalho autoral foi distinguido
na Mostra Nacional Jovens Criadores 2014 e na VII Bienal Jovens Criadores da CPLP 2015.
É representado pela Tara Gallery.

Thomas Mendonça (1991), artista plástico licenciado pela ESAD de Caldas da Rainha,
trabalha e reside em Lisboa onde tem vindo a desenvolver alguns projectos curatoriais, mas
principalmente onde expõe regularmente. Salientam-se as exposições no Teatro Taborda,
Museu Geológico, Museu Nacional de História Natural e da Ciência e em breve no Museu
Nacional de Arte Contemporânea do Chiado. Os seus focos de interesse distribuem-se entre
melodramas sentimentais, a cultura pós-pop e a beleza da singularidade icónica no geral.
Trabalha com várias tecnologias, embora com maior ênfase no desenho e na cerâmica.

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