Faísca Teatro – Entrevista

O Faísca teatro é um colectivo teatral de Lisboa. Estivemos à conversa com eles para saber um pouco mais sobre as suas origens, linguagem e projectos.

Onde e como surgiu o Faísca Teatro?
Em 2012 éramos estudantes de Teatro na Universidade de Évora e criámos o Faísca como forma de testarmos as aprendizagens nas aulas e para tentarmos criar uma estrutura para o nosso pós-licenciatura. Depois de várias transformações internas solidificamos o grupo e somos 5: André Susano, Anouschka Freitas, Fábio Vaz, João Pires e Joice Alexandre.

Porquê Faísca?
O nome surgiu duma brincadeira. Uma das atrizes tinha um cão que se chamava Faísca e sugeriu: “porque não chamar Faísca ao nosso grupo?”. Da brincadeira começou a fazer sentido, críamos um paradoxo que nos parece ter uma carga significativa: temos algo que se cria de uma fricção, um rasgo de energia que ilumina mas que desvanece se não o alimentarmos, algo que surge do choque entre matérias, que incendeia, que possui um potencial transformador.

Que tipo de linguagem procuram nos vossos espectáculos?
Procuramos acima de tudo a eficácia no que queremos fazer. Não sabemos que linguagem temos, não temos muita necessidade de o definir, mas procuramos sempre criar espaços vivos, efémeros e intensos. Analisando o nosso trabalho encontramos uma estética muito assente no ritmo e na geração da referida eficácia através do contraste espacio-temporal. Mas ainda estamos na procura do que queremos fazer, estamos a explorar, e gostamos de poder explorar. Sabemos que queremos trabalhar sem hierarquias no trabalho, todos têm responsabilidade sobre o que acontece no grupo. Mas tudo o que foi dito diz pouco sobre a nossa linguagem…

Quais os vossos próximos projectos?
A “Mostra Portuguesa de Micro-Teatro”, no âmbito do Festival de Teatro de Curitiba e do Fringe, que consiste em 4 espetáculos e uma sessão de leitura encenada da obra “Da Transparência”, de Conceição Gonçalves. Dos espetáculos, 3 são de curta-duração: “Entrevista de Emprego”, “Homem de Sorte” e “Tecno Sapiens”; e um de uma duração mais convencional: “Encurralados”. Este espetáculo é com o texto do jovem faísca André Susano. Esta mostra tem o apoio da Fundação GDA e da Celero Comunicação, bem como o patrocínio da Casa das Correias AJA, da Doce Fado e da Mega Placas, todas empresas locais de Curitiba. Estamos a um passo de poder concretizar esta mostra mas para isso ainda estamos a contar com donativos via facebook para a compra das passagens aéreas (sobre isto, mais informações em http://facebook.com/faiscateatro). Após a mostra, vamos circular por Portugal com “Encurralados”, brevemente teremos mais novidades sobre isto. Outro projeto é a nossa colaboração com a associação Resto de Nada: no início de 2017 passámos a fazer parte desta associação e vamos trabalhar nos vários projetos da mesma, principalmente focados na Junta de Freguesia de Carnide e no Bairro Padre Cruz.

Quais os maiores desafios que um colectivo como o vosso no actual panorama artístico português?
Fomentar o Teatro, captar e manter públicos, viver de fazer teatro num coletivo artístico jovem. Tentamos criar fontes alternativas de receita, encontrar uma remuneração para todo o esforço investido ao longo destes anos de trabalho. Mas não é fácil, viver de Teatro sempre foi precário, a situação não é de agora, mas acreditamos que com motivação, colaboração e organização vamos poder partilhar, sentir e expressar tudo aquilo que sentirmos necessidade.

Sabe mais sobre o Faísca Teatro em http://facebook.com/faiscateatro

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