João Pedro Mamede – Entrevista

600_Joao-Pedro-MamedeFormaste-te na Escola Superior de Teatro e Cinema este ano mas descobriste o teatro quando tinhas 14 anos. Fala-nos um pouco do teu percurso até hoje.
Descobri o teatro precisamente com o Francis Seleck, o encenador de A 20 DE NOVEMBRO, numa formação dirigida a adolescentes – em Almada – que se chama Cena Múltipla. Andei lá entre os 14 e os 18 anos. Logo após eu ter saído da Cena Múltipla, o Francis passou-me o texto de A 20 DE NOVEMBRO e eu li-o pela primeira vez. Entretanto fui para a Escola Superior de Teatro e Cinema. Foi através da Escola que fui parar ao espectáculo A MORTE DE DANTON, onde conheci o Jorge e os Artistas Unidos, que quiseram acolher o espectáculo A 20 DE NOVEMBRO no Teatro da Politécnica. Tenho trabalhado com os Artistas Unidos desde então em A PAZ de Antonio Tarantino e SALA VIP, um texto do Jorge que o Pedro Gil encenou. Foi também na Escola que criei com a Catarina Rôlo Salgueiro e o Nuno Gonçalo Rodrigues o grupo Os Possessos, com o que apresentámos recentemente HANSEL & GRETEL DEDICAM-SE AO FUTURO EM 3 PASSOS.

Jorge Silva Melo disse sobre ti que és uma pessoa que “ouve e pensa”. Achas que a escuta é essencial para o teatro?
A escuta é o que me permite actualizar o que estou a fazer quando estou em cena. A reacção e o pensamento existem com isso e depois disso. A escuta é essencial para que estejas mesmo a pensar nas coisas quando as dizes!

Pelo que sabemos também escreves. Tens alguma ambição neste sentido?
Neste momento escrevo com o Nuno Gonçalo Rodrigues para o próximo espectáculo com Os Possessos.

800_A-20-DE-NOVEMBROA peça “A 20 de Novembro” que vais apresentar no Teatro da Politécnica trata de uma tragédia numa escola alemã. Como abordaste a construção da personagem?
Quando começámos, em 2010, não me identifiquei nada com os propósitos e as justificações do Sebastian Bosse (o rapaz que fez, em 2006, este massacre) – não tinha aquilo tudo para dizer do mundo, e sobretudo, da escola. O processo consistiu muito em perceber como cresce este mecanismo de humilhação que o bullying provoca, e de como ele se transforma em ódio e em revolta.

Que papel pensas que o teatro tem na sociedade?
Estou a descobrir com a digressão de A 20 DE NOVEMBRO e com os diferentes públicos dos diferentes sítios do país onde temos apresentado, que o que entusiasma as pessoas é sobretudo serem tiradas do seu lugar do conforto quando estão no teatro por serem interpeladas directamente. Penso que o papel do teatro está relacionado com isso, com interromper a tua realidade e agitar-te um pouco.

“A 20 DE NOVEMBRO”
Teatro da Politécnica
De 19 de Novembro a 7 de Dezembro 2013
3ª e 4ª às 21h00 | 5ª e 6ª às 19h00 | sáb às 19h00

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