Martim Pedroso – Entrevista

Esta semana conversamos com Martim Pedroso, criador da nova “Nova Companhia”, em que a partilha é uma das principais características. Fiquem a conhecer um pouco mais sobre este projecto e sobre as perspectivas para o futuro imediato.

Criar uma “Nova Companhia” foi uma boa surpresa que surgiu ou era algo que já ambicionavas?
Não foi nada que eu planeasse muito mas acabou por acontecer de forma natural. Sempre ambicionei ter um projeto meu com os meus colaboradores, a quem eu chamo família artística. Na verdade, desde 2005 que comecei a arriscar nos meus próprios projetos, tenho vindo a experimentar colaborações e a juntar vontades. Nessa altura estava ligado à produtora Materiais Diversos que eu ajudei a criar com o Tiago Guedes e só em 2012 é que me desvinculei e quis criar a minha própria estrutura de produção. Eu sabia que mais tarde ou mais cedo isso ia acontecer, até porque este é o trajeto natural de alguém que lidera um projeto artístico e que sempre procurou essa autonomia.

Quais os maiores desafios que encontras agora neste novo papel?
Acompanhar os tempos. Ter sempre ideias “boas e relevantes” para o mercado do teatro contemporâneo numa época em que já é muito difícil surpreender ou ficar na memória de alguém. Tu podes achar que uma certa ideia é relevante e pertinente e as instituições que te financiam acharem o contrário e esse é sempre o grande desafio: convencê-los de que tu tens razão e estar sempre em diálogo.

Quais serão as linhas orientadoras da Companhia em termos artísticos?
A Nova Companhia é a resposta a uma vontade de fazer as coisas à minha maneira onde o princípio de colaboração é essencial. Não somos nada sem os outros e eu não teria feito nada sem os artistas e colaboradores que me têm vindo a acompanhar nos meus projetos. Mais do que uma Companhia no sentido clássico do termo, em que há um mestre que lidera um grupo de discípulos, esta Nova Companhia é uma plataforma de artistas que se cruzam para trocar experiências e linguagens, em que todos são mestres e discípulos uns dos outros. O teatro e as artes performativas são o ponto de partida para a construção dos objetos artísticos mas não têm necessariamente de resultar nessas mesmas linguagens. Há um princípio orientador que acompanha todos os trabalhos da NC que é o questionamento de nós próprios, das nossas certezas e lugares comuns do teatro e da arte em geral.

O que podemos esperar da “Nova Companhia” para 2017?
Já a 9 Fev. a NC estreia “Filhos das Mães” no S. Luiz, uma 2ª parte de um projeto que começou em 2014 no T. Taborda em que eu e a Flávia Gusmão juntámos 6 atrizes grávidas em palco. Esta é a continuação dessa experiência com as mesmas atrizes e os filhos já nascidos. A mesma peça vai andar em digressão pelo Porto, Sines e Estarreja para já. Em Março também no S. Luiz, estreamos no festival Ibero-Americano a peça “Conversas ouvidas por mero acaso numa estação de comboios” do dramaturgo argentino Luis Cano pela mão da atriz e encenadora Teresa Sobral. Levaremos também o projeto de fotografia “Gineceu Androceu” do João Telmo ao Brasil.

Enquanto encenador o que procuras num intérprete?
Depende dos trabalhos mas normalmente procuro imaginação, inteligência, sentido de humor, loucura e muita vontade de “fazer amor” comigo.

Enquanto intérprete o que procuras num encenador?
Exactamente o mesmo.

Desejo para 2017?
Muito sinceramente?…Que alguém mate o Trump.

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