Né Barros – Entrevista

O Family Film Project é um festival de cinema que se realiza desde 2012 no Porto, com o subtitulo “Arquivo, Memória e Etnografia”. Né Barros é a sua directora. Conversámos com ela sobre o evento, actividades paralelas (nomeadamente um ciclo de performances), e sobre o panorama cultural actual do Porto.

Como surgiu o Family Film Project?
O festival nasceu pela necessidade de se criar um momento especial de reflexão sobre as questões do arquivo, da memória e do etnográfico. Em 2012 não existia nenhum festival afim a estas questões específicas. Não se tratava, por isso, de um foco na família enquanto instituição, modelo ou qualquer estereótipo, mas de um festival que pudesse concentrar abordagens múltiplas e alternativas de questionar o familiar, a intimidade ou o privado através da Imagem e de formas criativas. Tem sido nestas linhas de interesse que, para além do festival em si com exibições de filmes provenientes de todo o mundo, temos vindo a editar livros e a realizar encontros em parceria com o grupo de investigação Estética, Política e Conhecimento do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto.

O que diferencia o Family Film Project de outros festivais de cinema?
O foco de investigação, por um lado, a abertura e ser um festival alternativo, por outro. Isto é, o Family Film Project, permite-se programar filmes e outros eventos que muitas vezes têm dificuldade em serem apresentados noutros festivais. Não quer dizer que todos os filmes estejam fora do sistema, mas sim que existe abertura para integrar propostas que por vezes não cabem em festivais que estão obrigados a outro tipo de visibilidade e de compromisso.

Que balanço fazes das 6 edições anteriores?
Faço um balanço positivo no sentido de que se tem vindo a afirmar como um festival pertinente no mundo contemporâneo. Contudo, ainda há trabalho fazer do ponto de vista comunicacional, da mobilização e do despertar de curiosidades.

O que esperar do ciclo de performances associado ao festival?
Private Collection foi o nome deste ano para o ciclo de performances e que deverá prosseguir para as próximas edições. A ideia é lançar desafios a artistas para que trabalhem esta possibilidade do privado e da memória, do objecto e do efémero. Podemos aceder a uma coleção privada que vai desde o pessoal ou intimo até à partilha de algo que não foi gerado por nós, mas que acolhemos e juntamos. Para este ano foram convidados artistas que têm poéticas muito diferentes e, por isso, será interessante perceber as suas propostas e como estas dialogam entre si.

Quais as outras componentes do projecto?
Teremos mastersclasses com Bill Nichols e Paula Rabinowitz, nomes importantes do documentário e do pensamento, um ciclo dedicado a Daniel Blaufuks que é, sem duvida, um momento importante do festival pela sua obra singular. A estreia do filme “Marias da Sé”, de Filipe Martins, feito com a comunidade muito especial da Sé do Porto. Os mais pequenos não são esquecidos e João Apolinário dará uma oficina a partir do livro “Famílias Destrambelhadas”.

Como vês o panorama cultural actual no Porto?
Penso que é inequívoco que a cidade tem ganho em muitos aspetos e o cultural e artístico tem sido um dos pilares efetivos da vida na cidade. Existe oferta inteligente e diversa. É preciso continuar o que está a ser feito e também promover iniciativas mais alternativas e de formatos mais pequenos para que se crie um panorama mais rico e heterogéneo.

Mais informações sobre o festival em https://familyfilmproject.com/pt/

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