“Nós, os de Orpheu” ou a aventura da criação artística

estrelaQuando, durante os anos em que colaborei com a editora Antígona (a qual, aliás, continua a ser nossa parceira a várias níveis), estive também ligada à produção de espectáculos, escutei muitas vezes os comentários dos artistas e de outros intervenientes no âmbito das artes performativas acerca da lacuna que se fazia sentir em Portugal no domínio da literatura traduzida nas áreas em questão. Já para não falar da produção e publicação de textos próprios, em língua portuguesa, sobre a evolução da dança e da música contemporâneas, da performance, do teatro, e de todo o tipo de cruzamentos e transacções que neles possamos encontrar.

Pareceu-me claro o que estava por fazer: traduzir uma obra fundamental na qual tropeçava constantemente, Performance Art – from futurism to the present.  Publicada na colecção “World of Art”, da inglesa Thames & Hudson, este livro não largava as estantes das livrarias nem os cantos das casas nem as malas de mão das amigas. E nem o meu imaginário.

Nem por acaso, em Outubro de 2006, a sua autora, RoseLee Goldberg, também curadora, crítica e historiadora de arte, esteve em Lisboa, no âmbito do festival Temps D’Images, e ministrou, no CCB, uma masterclass: “Curating Performance”. O que aconteceu no ano que se seguiu nasceu da conversa com a RoseLee, de uma curta viagem de carro, nesse dia, com o António Câmara, director do festival Temps D’Images, e de uma outra ideia que se enformou entretanto: as edições Orfeu Negro, dedicadas à publicação de textos no âmbito das artes contemporâneas, com pendor para as artes performativas, o cinema e as artes plásticas.

Um ano depois da masterclass com a RoseLee, lançávamos o primeiro título da editora, A Arte da Performance – do futurismo ao presente, durante a inauguração da 5.ª edição do festival Temps D’Images, numa noite no Lux, à beira Tejo, ao som de Legendary Tiger Man e do seu álbum “Masquerade”. Na ausência da RoseLee, e por sugestão dos performers e amigos Ana Borralho e João Galante, criámos uma espécie de máscaras venezianas, com as quais deambulámos pela sala…

Hoje, a Orfeu Negro conta também, entre os seus autores, com Peter Brook, Laurence Louppe, Jacques Rancière, Gilles Deleuze e Julian Bell. E a aventura da criação artística continua…

Artigo por Carla Oliveira | Editora da Orfeu Negro

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