Nuno Cardoso – Entrevista

Nuno Cardoso é o Director Artístico do “Ao Cabo Teatro”, companhia fundada no ano 2000. Falámos com ele sobre as origens do projecto, dos desafios que enfrenta, do seu trabalho, e do que o futuro lhe reserva. A peça “Veraneantes” está em cena no Teatro Nacional S. João de 9 a 18 de Março de 2017, e depois segue em digressão pelo país.

Fale-nos um pouco das origens do Ao Cabo Teatro e do trabalho que tem desenvolvido.
A ao cabo teatro foi fundada pelo Helder Sousa no ano de 2000. Desde então temos mantido uma actividade regular ligada à revisitação de textos de teatro de repertório e novas dramaturgias. Já passamos por autores como Sarah Kane, Marius Von Mayenburg, Shakeaspeare ou tcheckov. Desde o início procurou ser uma companhia aberta, um grupo de pessoas que se junta para trabalhar quando tem projectos que os motivam.

Quais os principais desafios de dirigir uma companhia de teatro?
Gerir uma companhia e criar uma programação coerente, sustentada em digressões com o grau de financiamento às Artes que existe e com a pouca capacidade de co-produção que as instituições culturais têm é talvez o mais difícil de ultrapassar não dia a dia da companhia.

Na vossa descrição lê-se que o Ao Cabo Teatro “busca a matéria poética que alimenta uma ideia de teatro como máquina de interpretação e reescrita do presente”. De onde vem esta necessidade?
Acho que radica na necessidade que temos de contar histórias e de com isso criar um outro tempo, onde a imaginação e criatividade possam servir de principais instrumentos de reflexão sobre a nossa condição de seres humanos implicados numa sociedade, com obrigações éticas e com o dever de estarmos, como diz o João Sem Medo do José Gomes Ferreira, espantados de existir.

Continua a sentir vontade de fazer reportório como actor?
Trabalho raramente como actor e cada projecto é um prazer, independentemente de ser de repertório ou não. Ser actor é algo que me dá um extremo prazer, quando tenho um personagem de repertório, como o IAGO do Otelo é fantástico, mas quando o encenador me convida para fazer uma coisa completamente diferente também é fantástico, possibilita uma viagem para fora da minha zona de conforto e isso é extremamente importante.

Enquanto encenador, o que o cativa num intérprete?
A capacidade de imaginar com o corpo e com a voz e com isso criar um universo que eu nuca conseguiria conceber. Aprendo sempre tudo de novo quando vejo um actor em cena. Portanto, se calhar o que me seduz é encontrar um professor.

O que esperar de “Veraneantes” de Maksim Gorki, que estreia esta semana?
O Veraneantes é uma reflexão sobre a classe média na era do consumo, decantada a partir de um texto do inicio do século XX. É um espectáculo de actores que ao longo de duas horas e pico discorrem de uma forma às vezes picara outras trágica sobre as relações entre pessoas normais. Os seus sonhos, as suas ambições e os seus medos.

O espectáculo vai ser apresentado em vários teatros pelo país fora. É importante esta descentralização?
A descentralização é fundamental e não só no campo cultural. É o ultimo grande movimento que precisamos de fazer enquanto sociedade democrática.

Quais os planos para o resto de 2017?
Completar a trilogia A VIDA, A MORTE E CANAS DE SENHORIM, continuar o nosso trabalho com as comunidades com o projecto Arquipélago e começar a preparar o TIMÃO DE ATENAS para 2018

Como avalia o actual momento cultural do país?
A ver Vamos

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