Nuno Carinhas – Entrevista

Em mais uma etapa da nossa viagem pelos teatros nacionais, conversámos com Nuno Carinhas, director artístico do Teatro Nacional São João. Falou-nos da sua experiência à frente da programação do teatro, da relação da sala com a cidade do Porto, da programação futura, e da marca que gostaria de deixar.

É cenógrafo, figurinista, actor, pintor, agora gestor. Em que papel se revê mais?
Todos esses atributos estão interligados: são partes de um mesmo criador que pensa globalmente. Assumo as funções de director artístico do Teatro Nacional São João, mas que tem uma Administração que, ela sim, gere a Casa.

É director artístico do Teatro Nacional São João desde 2009. Quais as principais mudanças que observou nestes anos?
Todo o país passou recentemente por anos de chumbo durante os quais os cidadãos tiveram que pensar nas suas prioridades económicas e certamente que as actividades artísticas foram das que sofreram quebra de consumo. Mas passado um primeiro momento de empobrecimento e de profunda inquietação, veio ao de cima o desejo de partilha comunitária em que o teatro é pródigo: agregar os cidadãos para tratar de enfermidades que a todos dizem respeito, apesar das dificuldades que as instituições também sofreram. Então os espectáculos e todas as actividades à sua volta voltaram a ser lugares de reunião. A cidade também mudou com a nova vida cultural incrementada e desenvolvida pela autarquia, bem como o bem-sucedido movimento turístico.

Como se processa a relação com o poder central?
Em termos artísticos não há qualquer ingerência da Tutela.

Como é a relação do Porto com o teatro?
O Porto é uma cidade propícia às Artes. O Teatro não é excepção. O grau de apetência e participação é rico, cosmopolita. Enquanto Teatro de Arte tentamos trabalhar para um leque alargado de público livre e dotado de sentido crítico. Há tradições teatrais na cidade que são históricas e o ensino artístico é diversificado. A relação do TNSJ com as escolas e outras entidades de produção estabelece contactos reais que sustentam o panorama criativo.

O que destacaria da programação para a restante temporada?
Será a continuação das práticas que têm sido desenhadas em edições anteriores, com a mesma atenção à diversidade criativa nacional e internacional do Teatro e da Dança, com a mesma cumplicidade também na próxima temporada 2017/2018 aos festivais da cidade – FIMP, DDD, FITEI e também Mexe, Projecto-NÓS e DesNorte.

Que marca gostaria de deixar?
O reconhecimento de que o TNSJ desenvolveu um trabalho aberto, atento e activo, que manteve vivo e vibrante o tecido dos fazedores das artes de palco dando-lhes oportunidades de realização e mostrando pontos de vista criativos fortes através das suas produções próprias – convocando ao palco todas as artes, traduzindo a língua que se fala em desmultiplicações de sentidos para usufruto de todos.

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