Paulo Ribeiro (Atrapalharte) – Entrevista

A Atrapalharte é uma companhia de teatro infantil sediada em Coimbra, e fundada em 2012. Conversámos com o seu Director Artístico, Paulo Ribeiro. Falou-se das origens do projecto, dos temas que abordam, do papel da cultura na educação, de internacionalização, e do estado do teatro em Portugal.

Fala-nos um pouco das origens da Atrapalharte.
A Atrapalharte surgiu, como companhia de teatro infantil, em 2012. Antes desta data iniciamo-nos (um grupo de amigos) na comédia de improviso, com alguns projetos e espetáculos pioneiros em Portugal. Em 2012 lançamo-nos no teatro infantil essencialmente direcionado a escolas e às metas curriculares baseado no Plano Nacional de Leitura. Como o objetivo era apresentar um produto novo ao público, decidimos enveredar pela comédia. Foi um sucesso logo no início e a partir daí tem vindo sempre a crescer! As criações que inicialmente eram exclusivas a escolas passaram a ser espetáculos direcionados a toda a família.

Que temáticas aborda o vosso trabalho?
Depende do texto escolhido para cada ano letivo, mas debatemos sempre diferentes temáticas; o “nosso” Pinóquio abordou a questão do bullying na escola e deu pistas para ajudar a resolver este problema tão atual. Na nossa mais recente produção, o musical “3 Abóboras e 400 Camelos”, abordámos a questão dos valores morais e tentámos fazer passar a mensagem de que a maior riqueza existe no interior de cada um de nós. Procuramos sempre uma temática que promova alguma informação e transmita bons valores.

Qual o papel da cultura na educação?
Esta questão remete-nos para o nosso objetivo principal, fazer com que a cultura (no nosso caso o teatro) esteja presente na educação desde tenra idade. Para além das apresentações teatrais dispomos também de um serviço educativo que funciona em várias escolas de 1°Ciclo em Coimbra e também a nível de Pré escolar em Pedrogão Grande. A intenção é que o teatro, como forma de crescimento sustentável, se alie ao desenvolvimento emocional das crianças como uma ferramenta para uma sociabilidade mais eficiente. Temos o dever de educar estas novas gerações com este tipo de mentalidade e não deverá ser só uma luta privada e confinada a alguns elementos culturais. Deve partir da tutela, do ministério da educação, que para além da educação musical, da dança e da educação física, que fazem parte dos currículos regulares de aprendizagem deveria investir também na expressão dramática, tendo em vista uma educação para a cultura.

Como surgiu a oportunidade de internacionalização?
Esta é já a quarta vez que iremos apresentar o nosso trabalho ao público estrangeiro. Surgiu com o convite de uma professora que lecionava na Suíça e que, ao assistir a um espetáculo nosso em Portugal, nos quis levar até lá. Ficámos, dessa primeira vez, confinados apenas à região alemã. No segundo ano ficámos mais tempo, duas semanas, e estendemo-nos ao Liechenstein e à região francesa (Valais).
Em novembro de 2017 rumámos a Andorra para apresentar o nosso trabalho às comunidades portuguesas, solicitados pela embaixada de Portugal. Este ano, em setembro, iremos três semanas com mais datas e novos locais que podem ser consultados em http://atrapalharte.pt/.

O que esperam da tournée na Suíça?
Esperamos levar sorrisos, alegria, boa disposição, a língua e cultura portuguesa com teatro em Português até aos nossos compatriotas emigrados na Suíça e Liechenstein. Esperamos trazer de lá o coração cheio!

Que projetos têm para os próximos tempos?
Pretendemos estender as nossas apresentações aos níveis de ensino que ainda não estão contemplados na nossa oferta, nomeadamente creche e jardim de infância, com a peça ” Estás aí Pipoca?”
Queremos ainda aumentar e consolidar o nosso serviço educativo, estendendo a outras faixas etárias, concretamente adultos e seniores.
Temos já preparado também para estrear em setembro uma novo desafio. “Pedras Rolantes” é um espetáculo de rua, preparado para público geral, e terá a sua primeira apresentação na mata do Buçaco, dia 2 de setembro.
Estrearemos também no decorrer do mês de outubro as produções para as escolas.

Como vai o teatro em Portugal?
Julgo que o teatro em Portugal não vai muito bem. Deveria haver mais respeito e atenção dedicada a esta arte que tanto ensinamento e cultura transmite a crianças e adultos.
Penso que as entidades competentes não dão o devido valor ao teatro mas julgo que quando se perceber que a cultura e a educação fazem parte aliada de um crescimento saudável do indivíduo, esta prespetiva mudará com toda a certeza!

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