Ricardo Neves-Neves – Entrevista

© Humberto Mouco

Esta semana conversámos com Ricardo Neves-Neves, Director do Teatro do Eléctrico. Estreiam dia 17 de Fevereiro o espectáculo Encontrar o Sol no Teatro S. Luiz. Ficámos a saber mais um pouco sobre ele, sobre a companhia, e sobre a peça.

Recorda-nos as origens do Teatro do Eléctrico e o trabalho que tem desenvolvido.
O Teatro do Eléctrico foi fundado em 2008 por jovens profissionais do Teatro e da Música.  Surgiu essencialmente porque nós andámos juntos no Conservatório e éramos da mesma turma. Tínhamos a vontade de continuar a trabalhar juntos depois do Conservatório. Entretanto, conhecemos novos atores com quem gostaríamos de trabalhar e convidámo-los a integrar o projecto.

Desde 2008 fizemos textos originais escritos pela Ana Lázaro, Patrícia Andrade, Rita Cruz e por mim. À parte dos textos originais estreámos também textos de Spiro Scimone, Martin Crimp, Copi, Denis Lachaud, Vitoriano Braga, uma ópera de Mozart com libreto de Jean-Jacques Rousseau e agora Edward Albee.

Somos uma associação com vontade de digressão e é um esforço que a estrutura tem feito para continuar a apresentar os espectáculos fora de Lisboa, cidade onde normalmente estreamos.

Quais os principais desafios que encontras a dirigir uma companhia de Teatro?
Uma estrutura de pequena ou média dimensão como é o caso do Teatro do Eléctrico tem a dificuldade de termos já um grande volume de trabalho mas não termos a possibilidade de constituir uma equipa bem estruturada que possa responder com tempo e com qualidade a todas as exigências que o trabalho nos pede. O trabalho com qualidade ou com tempo, quando é feito, é sempre com base num género de implicação pessoal que ultrapassa todas as questões de horários e folgas da equipa, os tempos de descanso, horas de almoço, fins-de-semana… Muitas vezes são coisas que não existem.

Dirigir equipas e lidar com uma grande quantidade de pessoas (normalmente os nossos espectáculos têm muita gente) é também um desafio. Cada espectáculo é diferente, as funções de cada pessoa também variam, as mesmas são também diferentes entre si… e depois há pessoas com quem eu trabalho há vários anos e outras com quem estou a trabalhar pela primeira vez.

© Alípio Padilha

Enquanto encenador, o que te cativa num intérprete?
Alguém com quem eu possa conversar livremente sobre o trabalho, que me faça perguntas, que me dê respostas, que me faça propostas, enfim, que façamos um trabalho partilhado e que nenhum de nós se sinta sozinho.

Vais estrear o Encontrar o Sol de Edward Albee. O que te seduziu nesse texto?
Li o Encontrar o Sol de Edward Albee em 2012 na praia, por acaso. Estava a ler uma colectânea de várias peças rápidas, peças em um acto e esta era uma delas. Numa primeira leitura senti uma grande afinidade com o lado cómico da peça e com o humor que o Edward Albee desenvolve, com uma constante utilização da ironia de uma forma requintada. Com as leituras seguintes, comecei a ter já uma relação do texto com a criação de determinadas imagens, ou seja, pus a hipótese de encenar o texto. Há qualquer coisa de próximo de mim, talvez pela própria musicalidade que o texto sugere pela rápida sucessão das várias micro cenas que compõem a estrutura do texto.

© Alípio Padilha

Que projectos futuros tem o Teatro do Eléctrico?
Este ano, vamos continuar com a digressão d’A Noite de Dona Luciana de Copi. Acabámos agora de fazer em Leiria, vamos para o Funchal e Vila Velha de Ródão em Março. No próximo semestre temos previsto Matosinhos, Ponte de Sor e Loulé.

O Encontrar o Sol ainda irá a Braga no início de Março. Entretanto vamos fazer uma nova estreia que vai ser um cabaret. Vai-se chamar Karl Valentin Kabarett, um espectáculo a partir de vários textos de Karl Valentin. Vamos ter música ao vivo com um quarteto de saxofones dirigido pela Rita Nunes e o Sérgio Delgado, que fará a sonoplastia, estará também a acompanhar a música (reportório musical popular alemão do princípio do século XX).

No segundo semestre vamos dedicar-nos a uma coisa que não fazemos há muito tempo, vamos fazer um espectáculo para crianças para estrear na Culturgest.

O que faz falta para animar a malta?
1% para a Cultura.

Mais sobre o Teatro do Eléctrico:
http://www.teatrodoelectrico.pt
http://www.youtube.com/TeatrodoElectrico
http://www.facebook.com/teatro.do.electrico.tde

Deixa o teu Comentário