Rua das Gaivotas 6 – Entrevista

A Rua das Gaivotas 6 surgiu em 2013 e tem desenvolvido um trabalho de apoio, acolhimento e mostra de artes em Lisboa. Conversámos com Cristina Correia (Coordenadora e produtora), Marta Santos (Comunicação), e Filipe Pureza (área técnica) para saber um pouco mais sobre o espaço e as suas actividades. Terminámos pedindo-lhes um desejo para as artes performativas em 2018.

Como surgiu o projecto “Rua das Gaivotas 6”?
Cristina Correia O projecto surgiu em 2013, na sequência da proposta vencedora do Teatro Praga ao “Concurso para cedência de espaços na Escola das Gaivotas” promovido pelo Departamento de Acção Cultural da Câmara Municipal de Lisboa (DAC/CML). Este espaço veio dar continuidade ao trabalho desenvolvido pela companhia, primeiramente no espaço do Hospital Miguel Bombarda e mais tarde no armazém no Poço do Bispo, onde para além de apresentar a sua própria programação, acolhia espetáculos e cedia o espaço para ensaios e acções de formação.
A Rua das Gaivotas 6 foi pensada pelo Teatro Praga como um espaço dedicado às artes performativas, às artes visuais, a conferências, sessões de cinema, residências artísticas, música e diversos tipos de formação; um espaço que dê a conhecer novos artistas, novas estruturas, novos trabalhos e novos projectos. Um novo espaço para começar.

Quais as várias valências deste espaço?
Cristina Correia O espaço Rua das Gaivotas 6 tem neste momento 4 espaços que se complementam entre si: a sala de apresentações, o centro de documentação de artes performativas e mediateca, o estúdio de som e a sala rosa.
A sala de apresentações é um espaço multifuncional onde acolhemos espectáculos, mas também sessões de cinema e conferências, entre outras actividades e eventos.
O centro de documentação de artes performativas e mediateca é um espaço de consulta, estudo e trabalho aberto ao público de 2ª a 6ª, das 14h às 20h, onde temos os nossos visitantes podem ter acesso a livros e filmes especialmente direccionados para o teatro, cinema, arte contemporânea e dramaturgia.
O estúdio de som é um espaço que todos os artistas podem usar para gravações e finalmente a sala rosa, recentemente inaugurada, é um espaço expositivo mas também de ensaios e de apresentações de projectos de menor dimensão.
Apesar dos espaços terem sido pensados para cada tipo de projecto, todos são polivalentes e facilmente adaptados às necessidades dos acolhimentos.

Fala-nos um pouco sobre o acolhimento que fazem de trabalhos de novos artistas
Cristina Correia Para além da cedência do espaço, todos os projectos que recebemos na Rua das Gaivotas 6, têm apoio técnico, de produção e comunicação.

Marta Santos Depois de serem aceites as propostas, é feito um plano de divulgação do mesmo através dos nossos canais – website, facebook, instagram, newsletter e material de divulgação impresso – e da imprensa, procurando dar a maior visibilidade possível aos novos artistas que o público ainda não conhece ou ouviu falar.

Filipe Pureza Existe um acompanhamento técnico, do início ao fim, para facilitar e ajudar na criação de cada projecto, utilizando o espaço e o material disponível de forma adaptar-se melhor ao conceito de cada artista. Dando espaço para a aprendizagem de alguns e ao mesmo tempo espaço para explorar .

Qual o vosso envolvimento com a comunidade local?
Cristina Correia O Teatro Praga / Rua das Gaivotas 6 é membro da Comissão Social da Junta de Freguesia da Misericórdia, participando em dois Grupos de Trabalho: jovens e idosos.
Através desta participação estabelecemos parcerias com a Associação + SKILLZ, Associação Mais Cidadania; Unisaber – Universidade Sénior e a Associação dos Albergues Noturnos de Lisboa e desenvolvemos um trabalho direcionado para os grupos de trabalho em questão com cada uma destas instituições.
Mantemos igualmente uma relação estreita de colaboração com estruturas nossas vizinhas como a Avó Veio Trabalhar, o Pólo Cultural das Gaivotas | Boavista e os Filhos de Lumière.

Que actividades têm planeadas para os próximos tempos?
Cristina Correia Para além dos acolhimentos regulares de espectáculos e outras actividades já agendados para 2018, podemos enumerar, entre outros, Praia do Colectivo Qualquer, X6 de Túlio Rosa, Su8marino de Joana Castro, Entrevistas de Tiago Cadete, Ad Bestias – manual de decoração para sobreviventes de Rafaela Jacinto e Ex(am) de Wagner Borges e Tiago Bôto.
O Teatro Praga / Rua das Gaivotas 6 estabeleceu várias parcerias que irão ter início este ano. Em associação com o Cão Solteiro, com quem irá colaborar regularmente durante 4 anos, no projecto “Artista no Bairro”. Estabelecemos também a parceria com O Espaço do Tempo, através do programa YEP (Young Emerging Performers). No decorrer do mesmo serão selecionados 3 novos artistas emergentes, para desenvolverem residências artísticas e apresentações em ambos os espaços.

Um desejo para as artes performativas em 2018
Cristina Correia Desejo um maior apoio a todos os criadores das artes performativas e em geral. Para a Rua das Gaivotas 6 desejo que continue a desenvolver o trabalho que tem feito até agora e que cada vez mais possa acolher novos artistas.

Marta Santos Desejo para as artes performativas maior colaboração entre artistas com referências e backgrounds diferentes, entre dança, teatro, artes visuais e vídeo, entre outras áreas.
Desejo também que a Rua das Gaivotas 6 seja visto como espaço de confluência e de contacto com diferentes linguagens e abordagens à produção artística.

Filipe Pureza Desejo que exista um crescimento sólido, partilhado e comunicativo não só nas artes perfomativas mas em todas as outras artes.

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