A espuma dos dias: Janeiro 2020

Por Pedro Mendes

Conselho Municipal de Cultura em Lisboa

A autarquia de Lisboa aprovou, por proposta do PCP, a criação do Conselho Municipal de Cultura. “O conselho deverá colaborar na articulação da estratégia cultural municipal, fomentar a melhoria das condições de acesso às produções culturais, na defesa do património cultural, e garantir a preservação do património imaterial da memória histórica, social e artística”, lê-se na proposta aprovada. Ainda se desconhece quem integrará este órgão, e como será a sua orgânica de funcionamento. Se contribuir para a definição de políticas culturais e desenvolvimento da cultura em Lisboa, e se não for mais um nível de burocracia a dificultar a acção, então será positivo. Aguardemos, até haver maior clareza.

Comissão para a Aquisição de Arte Contemporânea

A Comissão para a Aquisição de Arte Contemporânea, criada em meados de 2019, apresentou em janeiro as obras adquiridas no ano passado. São obras de 20 artistas portugueses, compradas com o fundo de 300 mil euros (que este ano passará para os 500 mil) de que a Comissão dispõe. No site do Governo, lê-se que “esta iniciativa tem como objetivo garantir um acesso alargado ao património artístico português, envolvendo a comunidade artística e a sociedade civil na difusão do papel preponderante da arte e, em especial, dos artistas portugueses no panorama cultural do país”. Em declarações à RTP, a Ministra da Cultura, Graça Fonseca, admitiu a possibilidade de entidades do sector privado reforçarem as verbas a investir.

Estas obras serão mostradas ao público na próxima edição da Feira de Arte Contemporânea ARCO, e no Museu Nacional de Arte Contemporânea.

88º aniversário do Rivoli

De 16 a 19 de Janeiro, o Rivoli festejou os seus 88 anos de vida. Entre as “Quintas de leitura”, passando por convidados internacionais, até aos seus Jovens Artistas Associados, o público que se deslocou ao teatro teve muito por onde escolher. Estive presente em representação do Coffeepaste e testemunhei a festa.

Da programação destaco as performances dos Jovens Artistas Associados, que apresentaram, em performances de 20 minutos, excertos de trabalhos maiores. Começo por Ana Isabel Castro, que nos mostrou parte de “Marengo”, uma criação sua de 2019 que mereceu o destaque do jornal Público na resenha do melhor do ano passado. Nesta performance, um trio de vozes a capella alternam com os quadros de movimento de Ana Isabel. A acção flui facilmente, com muita elegância e beleza. Também bela foi a performance / instalação “Horto – Uma forma que vem do toque”, de Guilherme de Sousa & Pedro Azevedo. Num horto, dentro de uma pequena estufa, assistimos à personificação, na pele de um dos performers, de um planta. O cuidar, as relações humano-planta e humano-humano sobressaem com ternura. Ficarei certamente atento ao trabalho destes jovens, que têm o apoio do TMP até 2021.

Foto por Aaina Sharma

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