Akram Khan – Entrevista

A primeira de uma série de entrevistas internacionais é com o bailarino e coreógrafo Akram Khan. Com uma extensa e premiada carreira internacional, tem criado para a sua companhia, bem como para outras companhias e artistas. Apresentou o seu trabalho em Portugal duas vezes nos últimos meses: No CCB com o solo “Xenos”, e em Guimarães (GUIdance) com a peça de grupo “Outwitting the devil”.

[English version below]

Porque fazes o que fazes?
Porque não sei mais nada que pudesse fazer que me faça sentir vivo.

O que impele a tua mente criadora?
Histórias ….
E eu gosto de contar as histórias de outras pessoas, caso elas desapareçam …

Qual é a coisa mais difícil no teu trabalho?
Não é um trabalho.

O que tiras das muitas colaborações que tiveste ao longo dos anos?
Não importa quão diferentes sejam nossas experiências pessoais, geralmente fazemos as mesmas perguntas.

Disseste numa entrevista que o teu corpo tem sido a tua voz. Essa voz será silenciada?
Sim, talvez mais cedo do que mais tarde.

Como estão a ser os teus dias nesses tempos incertos?
Estou a tentar viver cada momento como se fosse o último. Talvez seja porque nossa percepção do tempo durante este período tenha subitamente se tornado mais lenta. Tenho dois filhos pequenos e, para ser sincero, os filhos vivem num tempo muito mais lento. Uma vez, li algures que os adultos geralmente aprendem a hora do relógio. As crianças, por outro lado, ainda vivem no coração do oceano do tempo, num eterno agora.
O eterno presente de uma criança é presente-absorvido, presente-espontâneo, presente-elástico.
Talvez o sentido de tempo deles esteja a influenciar a maneira como encaro o tempo.

Como é que o mundo da dança pode lidar com os tempos em que vivemos?
Eu acredito mesmo que não devemos parar de nos mover, mesmo que tenhamos que ficar “parados” num só lugar. Movimento e criatividade estão no DNA de tudo o que está vivo. E a dança é uma celebração desse sentimento de se sentir vivo.

Quais são os temas que prevês abordar no futuro?
O que significa ser humano no novo mundo.

Que conselho darias a um jovem artista?
Aprende com o nosso passado e cria para o futuro.

Como visualizas o futuro da dança?
Neste momento, não sei qual seria essa resposta.

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English version

Why do you do what you do?
Because I don’t know anything else that I could do that would make me feel alive.

What tickles your creative mind?
Stories….
And I like to tell other people’s stories just in case they vanish…

What’s the hardest thing about your job?
It’s not a job.

What do you take from the many collaborations you’ve had over the years?
That no matter how different our personal experiences are, we are usually asking the same questions.

You said in an interview that your body has been your voice. Will that voice ever be silenced?
Yes, perhaps sooner rather than later.

How have your days been in these uncertain times?
I am trying to live every moment as if it were my last. Perhaps this is because our perception of time during this period has suddenly become slower. And I have two small children, and to be honest, children live in much slower time. I once read somewhere that adults, generally, have learned clock time. Children, on the other hand, still live in the heart of the ocean of time itself, in an everlasting now.
A child’s eternal present is present-absorbed, present-spontaneous, present-elastic.
Perhaps their sense of time is influencing how I perceive time.

How can the dance world best cope with the times we’re living in?
I really believe we must not stop moving, even if we have to be ‘still’ in one place. Movement and creativity are in the DNA of everything that is alive. And dance is a celebration of that sense of feeling alive.

What themes do you foresee tackling, as we go into the future?
What it means to be human in the new world.

What advice would you give to a young artist?
Learn from our past, and create for the future.

How do you envision the future of dance?
Right now, I don’t know what that answer would be.

Comments

  1. Marta Emilia says

    Akram!, uno de los grandes. Espero poder ver sus obras inspiradoras algún día

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