Ana Macara e Maria Franco – Entrevista

A entrevista de hoje é com Ana Macara e Maria Franco, Directoras da Companhia de Dança de Almada. Falámos sobre os 30 anos que a Companhia cumpre em 2020, e das suas conquistas. Falámos também da Quinzena de Dança de Almada, que acontece naquela cidade de 18 de setembro a 11 de outubro de 2020, e do que por lá poderão ver.

Que balanço fazem dos 30 anos da Companhia de Dança de Almada?
Ao longo de 30 anos a direção sempre teve uma grande preocupação em manter um grupo de profissionais com grande potencialidade artística, criando simultaneamente condições de trabalho que permitissem manter e progressivamente desenvolver a qualidade técnica, e um espírito coletivo de empenhamento num projeto comum. Apesar de não se tratar de uma companhia de autor, ou por isso mesmo, foi importante encontrar sempre bailarinos capazes de incorporar o espírito de coreografias diversificadas dos muitos coreógrafos que têm sido convidados para apresentar novas criações. Ao longo destes anos foram convidados mais de uma centena de coreógrafos, entre jovens emergentes e criadores já consagrados. Foi assim criado um repertório marcado por algumas grandes peças que se foram mantendo e apresentando quer em Portugal quer no estrangeiro.

Quais as principais conquistas da Companhia?
A principal conquista da companhia é sem dúvida um público fiel que a acompanha ao longo dos anos e uma escola de formação que de forma recíproca se alimenta do público que tem vindo a desenvolver e contribuir para o ir aumentando progressivamente.

Qual o papel da formação contínua na vida de um bailarino?
A formação contínua do bailarino é essencial para os bailarinos. No caso da Companhia de Dança de Almada as aulas diárias são tomadas como algo de essencial não apenas como formação, como para aquecimento e preparação para os ensaios, evitando ao máximo as lesões que muitas vezes e inevitavelmente decorrem do trabalho por vezes muito duro exigido pelas coreografias.

Quais os principais objectivos de um evento como a Quinzena de Dança de Almada?
Os principais objetivos de uma Festival como a Quinzena de Dança prendem-se com duas finalidades essenciais. Por um lado, apresentar ao público de Almada a dança contemporânea na sua grande variedade de estilos e tendências. Apesar de hoje se falar mais de dança do que no passado, esta ainda é uma área artística que dificilmente chega ao grande público, não só por falta de conhecimento em geral, como por falta de divulgação nos grandes meios. Por outro lado, várias correntes estéticas são possíveis na dança contemporânea, que se apropria também e incorpora toda uma variedade de técnicas corporais. Através deste festival, criadores de diferentes origens, diferentes gerações, técnicas performativas variadas, reúnem-se em Almada. Criar um espaço de contacto e intercâmbio entre artistas e programadores, que nos parece fundamental para o crescimento da dança contemporânea em geral, tem sido uma das vocações da Quinzena de Dança de Almada ao longo dos anos.

A edição de 2020 teve de sofrer muitas alterações face à pandemia?
Desde Março deste ano inúmeras foram as alterações que foram sendo feitas relativamente aos planos de organização deste festival. Várias companhias estiveram programadas e depois precisaram ser canceladas. Decisões quanto aos espaços de apresentação foram sendo alteradas conforme a evolução da pandemia. Sempre confiamos que o festival se iria realizar mas, na realidade, foi necessário um grande esforço de adaptação. Uma das últimas decisões foi a de apresentar em streaming os espetáculos da Plataforma Coreográfica Internacional, sobretudo no sentido de poder chegar a um público internacional que este ano não se pode deslocar.

Mas a estrutura da Quinzena manteve-se em grande parte inalterada, embora com as necessárias restrições em relação à participação do público nas salas.

Além dos espectáculos, a que outros eventos vamos poder assistir?
Este ano, para além dos espetáculos com as companhias convidadas e da Plataforma Coreográfica Internacional, este ano apresentada também em streaming, vamos ter cinema: O filme-documentário “Danzantes” do espanhol Juan Vicente Chuliá mostra bailarinos e companhias de dança das mais variadas origens (da Finlândia ao Japão, passando pelo Brasil) e géneros, convidando-nos entrar no seu mundo muito próprio. Teremos também várias sessões de videodança, uma das quais dedicada a autores radicados na Alemanha, com o apoio do Instituto Goethe, e outra com trabalhos desenvolvidos durante o tempo de confinamento. Teremos também várias mesas redondas mais dedicadas a profissionais da dança, uma residência artística, e um workshop de características muito especiais que passará por um percurso pela cidade velha de Almada.

Estar fora de Lisboa, mas ao mesmo tempo perto, é um desafio?
O grande desafio é mostrar que Almada fica a dez minutos de Lisboa, apesar de a travessia da ponte ser psicologicamente um grande desencorajamento para o público que vem do outro lado do rio, onde a oferta cultural é (felizmente) muito grande. O público de Almada está muito mais habituado a ir a Lisboa do que o contrário. Mas a programação que temos é muito boa e esperamos que quem venha se sinta realmente recompensado.

O que desejam para a dança no que resta de 2020?
Desejamos para a dança o mesmo que para todas as artes performativas. Que os efeitos desta pandemia não continuem a prejudicar de forma tão intensa como aconteceu ao longo dos últimos meses a apresentação de espetáculos ao vivo. É verdade que se pode apresentar dança através de registos ou plataformas digitais, mas a magia do espetáculo ao vivo não pode ser alcançada de outro modo. Mas quando tal não é possível, vamos também desenvolvendo projetos em que pomos as tecnologias ao nosso serviço, como será o caso do Festival Internacional “Clash!” que decorrerá no próximo mês de dezembro, com colaboração de companhias parceiras de Itália, Rep. Checa, Bulgária e Polónia.

Mais sobre a Quinzena de Dança de Almada

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Comments

  1. Maria Fernanda Macara Lopes says

    Ana : gostei de ler a tua entrevista. Parabens. Tens feito um bom trabalho. Beijinhos

  2. Saudades Ana! Agora que vamos «  crescendo » para quando uma Academia Maior? Bjinho

  3. Ana também gostei tua entrevista Parabéns Abraços Com Saudades

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