Belém Art Fest 2015

600_BAFO Belém Art Fest decorre a 15 e 16 de Maio em vários museus da cidade de Lisboa. Conversámos com Tiago Martins (Produtor) e com Selma Uamusse (Programadora) para saber mais detalhes sobre este original evento.

TIAGO MARTINS (Produtor)

Como surgiu a ideia de combinar os museus com a música?
O Belém Art Fest surge da “carolice” e paixão de um grupo de três amigos, que sempre gostou de festivais e sempre participou não só nos festivais que se realizam em Portugal, como também nos que acontecem estrangeiro. E foi num destes último, em Londres, contactámos com o conceito de música nos museus, como forma de aproximar o público dos museus e de tentar aumentar o número de visitas – ao mesmo tempo que davam uma imagem mais interessante junto do público mais jovem.

O cruzamento destes conceitos com uma programação única e exclusivamente dedicada a bandas e artistas nacionais, foi o mote para o conceito Belém Art Fest que aconteceu pela primeira vez em 2012.

First Breath After Coma. Foto de Ricardo Graca

First Breath After Coma. Foto de Ricardo Graca

Quais as principais dificuldades em levar a cabo este projecto?
Como todos os festivais ou eventos deste género o maior desafio é sempre garantir os apoios financeiros necessários para poder ter um preço acessível e justo para o público.

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Mimicat

Como é que o público tem reagido ao evento?
Desde 2012 que o Belém Art Fest tem tido um crescimento sustentável e constante. Na edição de 2014 ultrapassámos a fasquia dos 5 mil visitantes e este ano estamos à espera de 10.000 – por isso também apostámos num cartaz com nomes fortes, como António Zambujo e Dead Combo, cujos concertos esperamos que esgotem.

SELMA UAMUSSE (Diretora artística // Programação)

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Selma Uamusse

Como surgiu o desafio para a direcção artística do Festival?
Em 2012  recebi um telefonema do Pedro Pais, um dos produtores responsáveis pela ideia e implementação do Belém Art Fest. Convidou-me para ir cantar num pequeno Festival que teria lugar nos museus de Belém. Na altura, um pouco relutante porque não conhecia o festival nem a equipa envolvida, aceitei e apresentei-me com a minha formação “Tributo à Nina Simone”; porque fiquei curiosa com o formato dum evento a realizar à noite em espaços museológicos, com um cartaz feito com bandas portuguesas. Rapidamente, devido à empatia sentida, amizades comuns e uma estreita identificação com o conceito e objetivos do festival, a minha relação com a equipa do Belém Art Fest  tornou-se tão positiva que reuni com o Pedro e com o Tiago Martins com o objetivo de abraçar a programação (ou pelo menos parte dela) do Festival – contribuindo com a minha experiência enquanto cantora e ouvinte atenta de música feita em Portugal.

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Dead Combo

Como chegou ao cartaz que apresenta este ano?
Felizmente existem muitas bandas muito boas neste momento. No entanto, compatibilizar os poucos recursos financeiros existentes com as exigências dos espaços, a versatilidade e mobilidade do público (que se pretende que percorra os diferentes museus), e ainda disponibilidade das bandas nem sempre é simples. Não foi possível incluir na programação todas as bandas em que pensámos mas estamos muito felizes com o cartaz apresentado.

A programação deste ano tem dois cabeças de cartaz que “têm vindo a ser namorados” desde a primeira edição em que participei. O António Zambujo é um músico muito consensual,  que se adapta muito bem ao enquadramento do festival. O mesmo acontece com Dead Combo. Em áreas distintas, são bandas que se têm afirmado na cena da música portuguesa e que tiveram um ano de 2014 muito feliz no que diz respeito à sua trajetória. É uma honra para nós tê-los connosco. Temos um palco com curadoria da Antena 3, que nos propôs Golden Slumbers e Lotus Fever.

De uma maneira geral, a programação é feita em concordância com toda a equipa. Sugiro algumas bandas mas oiço as propostas feitas pelos outros elementos do grupo de trabalho. Chegámos à mimicat assim, por exemplo. Um elemento da equipa sugeriu, fomos “ouver” o concerto e ficámos apaixonados.

Há uma série de formações novas que acreditamos que merecem destaque, como a Joana Alegre ou os First Breath After Coma.  Nos sons mais urbanos temos os Wack, banda da casa,  e os MAU, na cena indie.

Na área do fado, que tem estado sempre presente no festival, temos os Iphado e a guitarra portuguesa do Rafael Fraga. O Gospel, que também tem sido uma presença constante e sempre muito bem recebida, tem, este ano, o privilégio de se recriar e de ir ao encontro do fado com uma colaboração de Marta Pereira da Costa e a sua guitarra portuguesa.

No jazz, destaque para a Joana Espadinha que tem um belíssimo disco de estreia, e eu própria, que além da responsabilidade da programação também tenho a de subir ao palco com o meu novo projeto a solo.

Para terminar as duas noites em beleza, temos “amigos” do festival que têm estado presentes nas edições anteriores – no 1.º dia o dj set de “Quem És Tu, Laura Santos?”, que terá a colaboração de Rita Redshoes e Benjamim (ex-Walter Benjamin) e, 2.º dia,  grande DJ Kamala, para encerrar em grande a 4.ª edição do Belém Art Fest.

Mais sobre o Festival.

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