Daniel Ribas – Entrevista

Hoje o nosso entrevistado é Daniel Ribas, docente da Escola das Artes e coordenador da nova licenciatura em Cinema da Escola. Falámos sobre este novo curso, sobre a Escola, e sobre cinema em Portugal.

Antes de mais, como está a Escola das Artes a viver estes tempos incertos?
Como quase todas as universidades, a Escola das Artes reinventou-se, procurando as melhores soluções para fazer face a uma dimensão prática do ensino artístico. Por isso, reforçamos o modelo de ensino blended (com aulas online e físicas) e optámos por concentrar as aulas práticas. Tem sido um final de ano exigente, mas importante. Os alunos também já sentiam falta de estar na Escola das Artes.

Em que é que a nova licenciatura em Cinema vem marcar a diferença em relação à oferta formativa actual no país?
O nosso modelo vem apostar, sobretudo, num modelo de ensino através de projeto, que, aliás, era já uma das grandes linhas de pensamento da reforma de Bolonha. Com esta licenciatura, ao contrário de dispersarmos os alunos em diferentes disciplinas técnicas, concentramos a aquisição desses saberes através de projetos semestrais. Desta forma, os alunos aprendem através da prática. Este é um ensino exigente, mas no qual acreditamos, combinando a experiência dos nossos professores com uma série de técnicos, criativos e realizadores relevantes do cinema português contemporâneo.

Quais as principais apostas da licenciatura?
Bom, como já referi, a nossa aposta centra-se neste modelo de ensino através de projeto. Mas complementamos esse ensino com duas grandes áreas: uma teórica – na qual os alunos aprendem uma base de cultural visual, cinematográfica e das grandes questões críticas do nosso tempo – e outra mais livre, através de disciplinas opcionais que permitem aos alunos explorar matérias que não são centrais à formação base.

Como será o equilíbrio entre as componentes teórica e prática?
O modelo de ensino através de projeto foca, decididamente, a aquisição de saber através da prática. No entanto, o curso tem também um conjunto de ferramentas que permitam formar recursos humanos criativos e com um pensamento próprio sobre o mundo.

Como é que a licenciatura vai articular com os outros campos artísticos leccionados na Escola de Artes?
A EA tem apostado, nos últimos anos, num modelo único: combinar o ensino e a investigação com uma programação cultural (exposições, sessões de
cinema, residências artísticas, etc.). Este modelo faz com que os alunos estejam constantemente a ser desfiados pelas práticas artísticas contemporâneas e a conviver com artistas e realizadores que passam pela Escola a um ritmo semanal. É um ambiente muito criativo e potenciador de contágios artísticos.

Que podemos fazer para voltar a levar as pessoas às salas de cinema?
A experiência da sala de cinema nunca poderá ser trocada pela experiência de ver cinema numa televisão (por muito boa que seja a qualidade de imagem e som). Essa experiência, que é também coletiva e comunitária, vai necessariamente continuar a existir.

Como vai o cinema feito em Portugal?
O cinema português tem um modelo testado e que tem funcionado bem. Produzem-se filmes, eles circulam um pouco por todo o mundo, ganhamos prémios importantes. A crise da COVID foi geral em todas as cinematografias e o cinema português também se adaptou à nova realidade. Lentamente as produções estão a voltar a filmar e as salas de cinema a receber os nossos filmes.

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