Ben Frost

Quando:
12 de Dezembro, 2017@10:00 pm_11:30 pm
2017-12-12T22:00:00+00:00
2017-12-12T23:30:00+00:00
Onde:
Maria Matos Teatro Municipal
Av. Frei Miguel Contreiras 52
1700 Lisboa
Portugal
Contacto:
Maria Matos Teatro Municipal
218 438 801

Da última vez que recebemos Ben Frost na nossa sala, em 2015, para além de nos ter trazido a sua Aurora em versão expandida por MFO, havia também na bagagem uma confissão pública de que a composição e edição dos seus álbuns teriam deixado de fazer sentido. A colaboração com outros músicos e artistas parecia, nessa altura, ter substituído o motor que o levara a editar obras tão importantes como By The Throat ou Theory of Machines. É nesse aparente desvio da norma que Ben Frost escreve música para FAR e Black Marrow, duas coreografias de Wayne McGregor e Erna Ómarsdóttir, respetivamente; Rainbow Six: Siege, banda sonora para o jogo da Ubisoft; Fortitude, série de TV, atualmente com duas temporadas; e Incoming, uma instalação de Richard Mosse, com quem também trabalhou para o documentário Bombing ISIS do Channel 4.

The Centre Cannot Hold aparece, por isso, como uma surpresa, embora se compreenda que a gravação de discos originais passam agora a ser o desvio da norma das bandas sonoras dos últimos anos. Mas, como sempre, um disco na cabeça de Ben Frost não é apenas um disco de música: tal como Aurora, esta nova obra parece empenhada em colocar na música a sua atração pela tensões cromáticas, com o azul a dominar o seu espectro. A sua música tem agora outras sensações, menos explosivas e mais pacientes, com maior preocupação em criar narrativas subtis, mais distantes do medo instigado anteriormente. Há agora uma encenação do som, como se tudo estivesse num palco fictício, imaginário, dentro da tal caixa em que Ben Frost nos quer colocar. Contenções e encenações que virão, decerto, das muitas encomendas que executou nos últimos anos.

Mas quem o procura pelas descargas de adrenalina sonora não terá nada a recear: The Centre Cannot Hold, produzido por Steve Albini, transmite-nos uma tensão eletrizante constante, como se fosse um gás em permanente acumulação de energia, pressionando os limites do espaço que ocupa. Ao vivo, como sabemos, a grande questão que Ben Frost sempre nos coloca é: seremos apenas espectadores, ou estamos bem dentro do seu espaço? Com a ajuda valiosa de MFO — que já nos atirou para dentro de Aurora, e também de Love Streams, de Tim Hecker —, está garantida a imersão total nesta noite.
Ficha Artística

eletrónica, guitarra elétrica:
Ben Frost

vídeo, luz:
MFO

fotos:
Salar Kheradpejouh

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