Para que o céu não caia

Quando:
13 de Dezembro, 2017@9:30 pm_11:00 pm
2017-12-13T21:30:00+00:00
2017-12-13T23:00:00+00:00
Onde:
Culturgest
R. Arco do Cego 50
1000 Lisboa
Portugal
Custo:
15€
Contacto:
Culturgest
21 790 51 55
Criação, direção Lia Rodrigues Assistente de direção, criação Amália Lima Dançado e criado em estreita colaboração com Amália Lima, Carolina Mattos, Clara Cavalcante, Felipe Vian, Francisco Thiago Cavalcanti, Gabriele Nascimento, Glaciel Farias, Leonardo Nunes, Luana Bezerra, Maruan Sipert, Valentina Fittipaldi Dramaturgia Silvia Soter Colaboração artística, imagens Sammi Landweer Criação de luz Nicolas Boudier Difusão internacional Thérèse Barbanel / Les Artscéniques Residência de criação HELLERAU – European Center for the Arts Dresden, Alemanha Produção Lia Rodrigues Companhia de Danças Coprodução HELLERAU – European Center for the Arts, Dresden; Kampnagel, Hamburgo; HAU Hebbel am Ufer, Berlim; Künstlerhaus Mousonturm, Frankfurt am Main; tanzhaus nrw, Düsseldorf; Festival Montpellier Danse 2016; Le CENTQUATRE-Paris / Festival d’Automne à Paris; SESC São Paulo Apoio Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura programa Cultura Viva e Rede Globo em colaboração com Redes da Maré e Centro de Artes da Maré. Financiado pela German Federal Culture Foundation Estreia 9 de maio de 2016, Hellerau European Center for de Arts, Dresden

O mito do fim do mundo, relatado pelo xamã Yanomami Davi Kopenawa, diz que, rompida a harmonia da vida no universo, o céu – que no idioma Yanomami é entendido por “aquilo que está acima de nós” – desaba sobre todos os que estão abaixo e não apenas sobre os povos das florestas. Diante de tantas catástrofes e barbáries que todos os dias nos assombram e emudecem, neste contexto de drásticas mudanças climáticas que escurecem o futuro, o que nos resta fazer? Como imaginar formas de continuar e agir? O que cada um de nós pode fazer para, a seu modo, segurar o céu? Não há tempo a perder antes que tudo desabe. O céu já está caindo e aqui estamos nós a viver sob ele. Vamos juntar nossas forças mais íntimas para manter este céu. Cada um à sua maneira. Na Maré nós dançamos no ritmo de máquinas e carros, helicópteros, sirenes, nós dançamos sob um calor escaldante, nós dançamos com chuva e tempestade, nós dançamos como uma oferenda e como um tributo, para não desaparecer, para durar e para apodrecer, para mover o ar e para se expandir, para sonhar e para visitar lugares sombrios, para virar vagalume, para sermos fracos e para resistir. Nós dançamos para encontrar um jeito de sobreviver neste mundo virado de cabeça para baixo. Dançar para segurar o céu. É o que podemos fazer. Para que o céu não caia… dançamos.

Lia Rodrigues

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