Gonçalo Félix da Costa – Entrevista

600_GoncaloFelixCostaEsta semana viramo-nos para a Televisão. Falámos com Gonçalo Felix da Costa, Director do Canal Q, para saber mais sobre ele e sobre os seus projectos para o canal.

Como surgiu o desafio de dirigir o canal Q?
Acho que ter fundado o canal Q com o Nuno Artur Silva há 5 anos atrás é um facto que não pode ser ignorado nesta resposta (rindo). Este projecto, apesar de ser um exemplo de um enorme trabalho de equipa devido à sua natureza e dimensão, acaba por representar, para ambos o clássico de “…é quase um filho…”.

Que novos conteúdos quer ver surgir no canal?
Num futuro imediato, já neste mês de aniversário que é Março, vamos avançar com a produção de 5 novos programas: o mote de 5 anos 5 programas.
– 39 semanas e meia  – Inês Lopes Gonçalves e Ana Markl fazem uma série de humor sobre o lado de que ninguém fala na… gravidez
– Muito Jogo  – João Aragão e Francisco Correia – criam pastiches em relação ao jogos de computador com os temas de actualidade, ex: como se tornar num grande autor literário através do novo “GTA autor”
– O satélite – A equipa do Inferno lança o satélite para espiar todo o universo da politica nacional. satira em cima do que “realmente” é dito e pensado nos acontecimentos políticos nacionais
– Graças, Adeus – programa de standup comedy gravado ao vivo num espaço de stand up
– Duros de Roer – Nuno Markl apercebe-se em crise de meia idade que não teve uma adolescência tradicional e que há muita coisa que deixou por fazer. António Raminhos vai em cada episódio levá-lo a passar por “experiências de Homem” por mais complicado que isso lhes possa parecer.
Para além deste futuro imediato, queremos investir mais em séries, mais em conteúdos produzidos de raiz com as marcas como já fizemos com a superbock e a PT e gostávamos de avançar para um concurso que tivesse o nosso posicionamento e a nossa onda. Em cima disto gostaríamos de poder manter a nossa liberdade, a sustentabilidade do projecto e a aposta nos nossos formatos originais e portugueses e tentar exportar um ou outro.

Q_baseadoO humor continuará a ser uma aposta prioritária, ou contam dar espaço a outros registos?
O humor, nos seus variadíssimos moldes será sempre uma aposta prioritária. Agora, desde o princípio que o canal Q nunca se assumiu apenas como um canal de humor mas sim de entretenimento e criatividade. Temos programas de política ou de entrevista que são tão essenciais como os de humor a transmitir identidade ao canal pela forma como são formatados e desenhados. Existe uma preocupação em ser honestos e genuínos, em não tratar as pessoas e os espectadores como atrasados mentais. Quase que fazemos televisão para as pessoas que não gostam de ver televisão (rindo).
Desde o principio do canal que temos um enorme espaço dedicado à cultura. Desde programas sobre livros, bandas, cultura, estética, etc, agora infelizmente o país não tem escala para ter em televisão este tipo de conteúdos pois não fazem share suficiente em termos de audiências. Mas nós continuamos a ter até ao dia em que não nos deixarem.

Como escolhem os vossos colaboradores?
Ui, essa pergunta admite várias respostas constante o tipo de função que eles exercem. Sem querer parecer pretensioso e dando exemplos concretos que aconteceram, a selecção pode vir de uma conversa sobre uma série ou cinema até à análise clássica de guiões, reels e portfolios. Claro que na maior parte das funções existe depois uma preocupação, como existe em qualquer outra empresa com natureza semelhante, em que que as pessoas tenham uma certa curiosidade, sentido de humor, noção critica, sobre a forma de estar na vida que as faça ter uma atitude criativa quando estão no canal e que gostem de aqui trabalhar diariamente com a restante equipa.

600_GFCO que é que ainda falta ao universo televisivo em Portugal?
De forma destacada destacaria séries de ficção que raramente são produzidas. Claro que é sobretudo uma questão de dinheiro e de escala mas tal como se fez com as telenovelas quando se começou a produzir em português também acredito que será uma questão de tempo até isso acontecer com as séries. Existem meios nos canais generalistas para apostar neste segmento, mas o drama é que estas séries perdem em audiências para os grandes formatos de concursos e como tal com esta escala de produzir apenas para o país os canais não têm hipótese de arriscar pois estão reféns das audiências e da respectiva publicidade.

O público português é exigente?
Eu diria que sim, mas gostaria de partir a resposta em duas: para a maioria da população essa exigência reflecte-se dentro dos formatos por ela mais consumidos e sobre os quais têm um enorme capital de observação, ou seja telenovelas, concursos, realitys, programas da manha e da tarde, etc… aí esses espectadores intuitivamente percebem as qualidades dos apresentadores, os ritmos, as narrativas por aí fora, fora deste tipo de programas não diria que a exigência seja muito alta.
Depois temos uma minoria de espectadores que se centra sobretudo no consumo  de cinema e séries  que é muito exigente e que quase já não consome televisão no seu formato linear.
Acho que o canal Q apanha um pouco dos dois conjuntos o que não é necessariamente mau.

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