Ignacio Goitia e Eduardo Sourrouille – Entrevista

Os artistas espanhóis Ignacio Goitia e Eduardo Sourrouille apresentam pela primeira vez o seu trabalho em Portugal, na Galeria Nave. A exposição integra o projeto The Basque Corner e resulta da parceria entre as galerias Aldama Fabre (Bilbau) e Nave (Lisboa). Conversámos com os artistas, que têm uma amizade de 30 anos, sobre a exposição e sobre o seu trabalho em geral.

Falem-nos um pouco da vossa amizade, que já leva 30 anos
Conhecemo-nos na escola de artes há 30 anos. Ficámos ligados pela nossa sensibilidade e o nosso amor pela teatralidade da vida. Desde então, temos sido os melhores amigos e colaboradores nos trabalhos um dos outro.

Como surgiu a exposição “Príncipe Azul”?
Tive um acidente e o Eduardo cuidou de mim num pequeno hospital em frente ao mar. Eugenia, com quem eu ia fazer uma exposição em Nova York, viu isso e ficou muito emocionada. Esse foi o começo. Selecionamos as obras em conjunto com a Mercedes Cerón. Esta exposição é uma ração de células da arte da vida, do amor e da amizade.

Falem-nos um pouco sobre o nome que deram à exposição
O nome surgiu nos nossos estúdios. Estávamos a trabalhar nisso e nada parecia descrever o que queríamos. Principe Azul é o título de uma peça do dramaturgo argentino Eugenio Griffero, pai de Eugenia. É uma história de amor entre dois homens jovens que ficam com medo do próprio desejo um do outro e prometem encontrar-se na velhice para honrar esse amor. Achamos que era adequado pelo seu conteúdo.

A Exposição inclui pintura, fotografia e vídeo. Pode-se dizer que há um diálogo entre os diferentes meios artísticos?
Nós somos defensores da mistura das diferentes formas de arte. Se há um conceito, um contexto ou uma história, pode sempre ser contado em muitas linguagens diferentes.

Como decorreu a vossa intervenção na Galeria Nave?
Trabalhar na Nave com a Mercedes foi óptimo. Ela foi generosa na hora de nos permitir expressar o que queríamos e como queríamos. Ela mantém uma colaboração com Aldama Fabre, a galeria da Eugenia, e esta exposição é mais um passo dessa colaboração.

O que representa apresentarem o vosso trabalho pela primeira vez em Portugal?
É um prazer viajar, conectar-mo-nos com uma nova cultura, um novo público. Portugal tem muita vida cultural. São museus, são galerias, são artistas e arquitectura. É realmente uma honra estar aqui.

A internacionalização é um objectivo vosso?
É, pelo que eu acabei de te contar. Ignacio e eu somos grandes viajantes e mostramos o nosso trabalho em muitas partes do mundo e em muitas feiras de arte. Trabalhamos com outras Galerias mas a Nave é o nosso espaço em Lisboa.

O que vos reservam os tempos mais próximos?
Temos um projeto com que nos deparamos nesta viagem com a Eugenia. O Eduardo tem uma exposição muito grande no próximo ano, em que está a trabalhar,e acaba de ganhar um prémio pela sua última obra “un canto de amor”.  Eu tenho um projeto na biblioteca nacional de Madrid e uma exposição em Miami.

Fotos de Joanna Correia

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