Indie Lisboa 2017 – Entrevista

Cartaz Indie Lisboa 2017De 3 a 14 de Maio de 2017 decorre a 14ª edição do IndieLisboa, Festival Internacional de Cinema Independente. Conversámos com Mafalda Melo, coordenadora da programação de longas, para saber um pouco mais sobre as várias valências do evento, e sobre o actual estado do cinema português.

O Indie vai na 14ª edição. Que balanço é possível fazer?
O festival tem crescido de forma regular e saudável desde a primeira edição. Chegamos ao 14º festival com a sensação de ter feito um bom trabalho de promoção do cinema independente, com especial atenção ao cinema português. Temos apostado em realizadores que, ao longo de 14 anos, se revelaram marcantes na área e temos feito um trabalho de continuidade e coerente. O IndieLisboa é, desde a sua primeira edição, um espaço de descoberta de filmes e obras com as quais o público português não teria contacto de outra forma.

De onde vem a ligação do festival com a música?
Estando cinema e música intimamente ligados, não faria sentido, durante 14 edições, não ter dado um lugar de destaque à música. Desde a criação das secções IndieMusic (dedicada à apresentação de documentários sobre autores e bandas, filmes-concerto ou ficções com ligações temáticas ao universo musical) e IndiebyNight (programa nocturno do festival, que todas as noites permite que a experiência em sala se prolongue, numa íntima ligação com a programação de filmes, através de concertos, dj sets e outros eventos) até à contaminação que se estende a todas os braços do festival, é visível o amor do IndieLisboa à música. Este ano podemos destacar ainda a retrospectiva Jem Cohen, um dos heróis independentes, cineasta que dedicou uma grande parte da sua longa carreira à música. Vamos exibir, integrados nesta retrospectiva, os filmes de Jem Cohen sobre os Fugazi, Patti Smith, Elliot Smith e Benjamin Smoke.

Coração Negro, de Rosa Coutinho Cabral

Coração Negro, de Rosa Coutinho Cabral

Que espaço terão os novos realizadores?
Em todas as secções do festival existe espaço para que o público descubra os filmes de novos e jovens realizadores: é assim desde a primeira edição e é uma das missões do festival. Existem muitas primeiras e segundas obras espalhadas pelos vários programas, pois o cinema também é feito de renovação e é preciso procurar, estar atento, descobrir os cineastas que irão deixar a sua marca na história do cinema. Foi por essa razão, por exemplo, que criámos a secção Novíssimos, um espaço no qual os realizadores portugueses que dão os seus primeiros passos, muitos ainda em contexto escolar, podem mostrar o seu talento.

Quais os principais destaques da programação?
Diria que são imperdíveis as retrospectivas Herói Independente, Paul Vecchiali e Jem Cohen, também porque são oportunidades raras de ver estes filmes que, na sua maioria, nunca foram exibidos em Portugal. Destaco a competição – nacional e internacional – porque é urgente conhecer o novo cinema que se faz pelo mundo e no nosso país, um fabuloso espelho do presente. Aconselho ainda o programa Alt-cinema (Sessões Especiais), porque é importante receber o máximo de informação possível sobre os acontecimentos sociais, políticos e económicos recentes – a defesa dos direitos fundamentais do homem também começa pelo combate à desinformação, na qual o cinema deve ter um papel activo. A programação por dia e secção pode consultada em http://indielisboa.com/filmes/

À vot’bon coeur, de Paul Vecchiali

À vot’bon coeur, de Paul Vecchiali

Que actividades paralelas realça?
Aconselharia os debates (LisbonTalks) em torno da programação, porque são oportunidades de contextualização e aprendizagem muito importantes. Gostaria de destacar, em particular, as conversas com Jem Cohen e Paul Vecchiali. O programa completo encontra-se em http://indielisboa.com/lisbontalks/
A festa do Bairro IndieJúnior celebra o dia da mãe, no domingo, 7 de Maio, nos jardins da Culturgest, depois da sessão de cinema para todas as idades, que acontece no Grande Auditório às 15h. Será um momento particularmente animado do festival, com muitas actividades para crianças. Falando de actividades para crianças, além das sessões de cinema, o IndieJúnior oferece várias actividades e workshops durante o festival. Convido ainda todos a juntarem-se ao IndiebyNight, todas as noites com um programa diferente. Serão concertos, dj sets e live acts inesquecíveis – como será certamente a noite Beatbox.

A Cidade do Futuro, de Cláudio Marques, Marília Hughes

A Cidade do Futuro, de Cláudio Marques, Marília Hughes

Como vê o estado actual do cinema português?
O cinema português vive um momento brilhante. Não só pela qualidade dos filmes que têm sido feitos (veja-se a competição nacional não só do IndieLisboa mas dos outros festivais de cinema portugueses, veja-se a retrospectiva Novos Olhares na Cinemateca Portuguesa que acompanha, há cerca de três meses, o trabalho de jovens realizadores) mas também a recente selecção e premiação de obras de realizadores portugueses nos mais prestigiados festivais internacionais. Dois Ursos de Ouro em dois festivais de Berlim seguidos! Se isto não é um sinal dos tempos, não sei o que será. Pena que o nosso governo tarde em acompanhar este crescimento com um plano de financiamento mais justo e transparente – nomeadamente na questão que diz respeito aos concursos do ICA e à polémica em torno dos júris. Impõe-se uma resposta urgente.

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