Joana Castro – Entrevista

Conversámos com Joana Castro, Directora Artística da Kale Companhia de Dança, entidade organizadora do Festival transfronteiriço Regards Croisés Portugal, que acontece em Gaia entre os dias 12 e 14 de Novembro.

Fala-nos um pouco da missão da Kale Companhia de Dança
A Kale Companhia de Dança Crl. tem dois binómios essenciais: por um lado, a exponenciação da Kale Companhia enquanto espaço de experimentação para coreógrafos e intérpretes em início da sua carreira profissional, assim como a continuidade do projeto Armazém 22, espaço de laboratório e experimentação, desenvolvendo, programando e acolhendo projetos de criação, investigação e desenvolvimento de públicos na criação contemporânea

O que é e quais as origens do Festival Regards Croisés Portugal?
O Festival Regards Croisés Portugal surgiu de uma parceria no âmbito da Rede Internacional Danse qui Danse, da qual fazemos parte, particularmente com o parceiro Malandain Ballet Biarritz, Centro Coreográfico Nacional (MBB). Nasce do festival homónimo Regards Croisés,  projeto transfronteiriço entre Espanha (País Basco) e França (Região de Aquitaine) de cooperação coreográfica que tem como objetivo a descoberta da dança contemporânea e a promoção de encontros entre o público, os artistas e estruturas educativas, promovido desde 2012/13 pelo laboratório de pesquisa coreográfica do MBB.

A pandemia vai afetar a realização do festival?
Este ano fomos um pouco condicionados pelas questões inerentes à criação dos artistas e dos seus projetos, por sua vez criados em pleno confinamento. Naturalmente as criações são essencialmente solos (Eldfell e Au Delà vue d’Ici dos parceiros franceses Cia Kopfkino e Cia  La Cavale) e a nova secção Janela Portugal, com solo/criação de Sara Garcia. Os ensaios abertos foram também condicionados, pelo que nesta Secção só conseguimos apresentar artistas portugueses.

Que destaques da programação farias?
O projeto “vinte e um” da Kale Companhia de Dança, naturalmente

 A que eventos paralelos vamos poder assistir?
Podemos assistir a 2 ensaios abertos nos dias 12 e 13, e, nas manhãs de 12, 13 e 14 podemos participar em 3 workshops das companhias em cartaz.

Qual a importância do diálogo cultural entre agentes de vários países?
O diálogo intercultural e a cooperação transfronteiriça são cada vez mais a chave para um futuro em que a dança contemporânea em Portugal possa ser cada vez mais coesa. Na Kale Companhia de Dança gostamos de pensar em rede e em parceria e este projeto é espelho disso mesmo.

E qual o papel da educação artística no desenvolvimento dos jovens?
A educação artística é crucial na formação de cidadãos com sensibilidade artística ou, especificamente, para a formação de cidadãos cujo futuro profissional seja na dança (como intérprete, coreógrafo ou docente, ou ainda, como profissional do espetáculo). Pensamos que, no atual meio artístico em que se reclama cada vez maior abrangência de competências profissionais e versatilidade técnico-artística, é essencial sensibilizar os jovens estudantes de dança para o universo cada vez mais amplo de possibilidades que uma formação em dança pode contemplar (performance, criação, produção, dance science, dança e comunidade, dança e educação, etc.)

Peço-te um desejo para a dança, para os tempos mais próximos.
Menos elitismo e mais cooperação nacional.

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Comments

  1. Henrique Praça says

    A Kale e o A22 tem um futuro bem promissor pela frente.

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