Linda Valadas e Luís Soldado – Entrevista

“É possível resistir” é uma ópera imersiva que acontecerá no próximo fim de semana (30 e 31 de Agosto 2019) em Torres Vedras. Com libreto de Rui Zink, música de Luís Soldado e encenação de Linda Valadas, este espectáculo fala-nos de encontros e desencontros, caminhando o público lado a lado com as personagens e músicos. Conversámos com o compositor e com a encenadora para saber mais sobre este projecto.

Falem-nos um pouco da AREPO – Associação de Ópera e Artes Contemporâneas
A AREPO – Associação de Ópera e Artes Contemporâneas, é uma associação criada recentemente com o intuito de colmatar um espaço por ocupar no panorama artístico português – o da criação de ópera contemporânea. A AREPO quer dar a conhecer compositores e criadores emergentes, bem como criadores consagrados nas áreas da ópera, performance, videoarte, teatro, cinema e dança.
A AREPO nasceu da união entre o compositor Luís Soldado, (que tem dedicado o seu trabalho de pesquisa e investigação na criação de ópera contemporânea e seus diferentes modelos de produção), e a minha vontade de ir mais longe e experimentar novos desafios a nível de encenação.

Como surgiu a oportunidade de realizar a ópera “É possível Resistir”?
Este projeto foi apresentado à Câmara Municipal de Torres Vedras, no inicio do ano passado. A ideia foi muito bem recebida e após algumas reuniões decidiu-se integrar esta ópera no Festival Novas Invasões 2019.

De que nos fala esta ópera?
É POSSÍVEL RESISTIR, trata-se de uma divertida ópera sobre personagens que se encontram e desencontram, durante um percurso que é feito ao longo do centro histórico de Torres Vedras.
O público acompanha as cenas caminhando lado a lado com as personagens e com os músicos numa intensa imersão conjunta sob a batuta do Maestro Rui Pinheiro.

É possível resistir?
Ao casamento…
Às provas que a vida nos impõe…
Ao que foi, ao que é, e ao que há-de vir…

Como chegaram até Rui Zink, autor do libreto?
O Rui Zink tem colaborado com o compositor Luís Soldado desde 2006, e já criaram cerca de dez óperas contemporâneas, explorando novos modelos de produção e composição músico teatrais. No seguimento desta aliança, surgiu da nossa parte o convite para criar o libreto para este É POSSÍVEL RESISTIR.

Este espectáculo, sendo imersivo, colocou desafios especiais?
Este espectáculo pelo seu carácter inovador, uma ópera contemporânea com a comunidade, e imersiva (a primeira do género em Portugal), colocou-nos vários desafios. Um deles, talvez o maior, o de conseguir reunir todo o elenco (cerca de 80 intérpretes) nos vários espaços programados, unindo o enquadramento arquitectónico e o natural ruído da cidade e seus naturais imprevistos. Estamos em ensaios, e à medida que esta “caminhada” avança vamos encontrando vários obstáculos. A união entre todos tem sido uma constante, e muitas vezes, a encenação tem de encontrar soluções que sirvam todas as partes envolvidas neste processo artístico. É um desafiante trabalho de pesquisa e investigação para todos os criadores.

Como foi a relação com a comunidade local?
A relação com a comunidade tem sido fantástica! Tem havido da parte das várias entidades convidadas (ATV – Académico de Torres Vedras, Escola de Música Luís António Maldonado Rodrigues – Torres Vedras, Banda Musical Ponterrolense e o Grupo de Música Contemporânea de Lisboa) uma enorme motivação e disponibilidade em colaborar nesta criação.

Quais os vossos planos para os tempos que se seguem?
Iremos continuar a promover a criação e produção de novos espectáculos músico teatrais. O próximo projecto terá lugar já dia 13 de Outubro, e trata-se da apresentação de um conto musical original, uma co-produção com a Associação Defesa do Património Ambiental e Cultural de Santa Iria da Azóia, o Conservatório de Artes de Loures e a Associação AGITA.

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