Maria Franco e Ana Macara – Entrevista

A entrevista de hoje é com Maria Franco e Ana Macara, Directoras da Companhia de Dança de Almada e da Quinzena de Dança de Almada. Foi a pretexto deste evento, que acontece de 23 de setembro a 17 de outubro, que conversámos. Fez-se o balanço de quase 3 décadas de festival, do contingente nacional e internacional, e do futuro, entre outros assuntos.

Que balanço fazem de 29 edições da Quinzena de Dança de Almada? 
Quando começámos, em 1992, não havia festivais de dança em Portugal. Ao longo dos anos, não apenas nós fomos crescendo, como inúmeros festivais deste tipo foram surgindo pelo país, mostrando a importância destas iniciativas, e chamando a atenção para o seu papel cultural. Ao longo destes anos trouxemos a Portugal centenas de artistas de todo o mundo, fomos assistindo e exibindo o evoluir da dança contemporânea em Portugal e no mundo, e sabemos que ajudámos ao desenvolvimento artístico da comunidade de Almada. Para além dos espetáculos, temos sempre workshops e outros eventos que contribuíram para o desenvolvimento de uma nova geração de bailarinos e criadores. É evidente também o aumento de escolas de dança, de praticantes profissionais e amadores, do envolvimento de muitos setores da comunidade.

A edição de 2021 ainda teve de sofrer muitas alterações face à pandemia? 
A edição de 2021 pôde, finalmente, trazer várias das companhias anteriormente previstas para 2020, mas ainda foi necessário, ao longo do ano, proceder a muitas alterações, à medida que a evolução da pandemia se foi conhecendo. Vários trabalhos ficaram prometidos para o próximo ano, por impossibilidade de programação devido aos inúmeros constrangimentos que se foram sentindo.

O contingente portiguês estará bem representado? 
Este ano, também devido à imprevisibilidade relativa às possibilidades de deslocações internacionais, quisemos apostar nos portugueses, com convite à companhia PURGA para apresentar a sua nova criação e aos coreógrafos Catarina Casqueiro e Tiago Coelho, que irão estrear o seu novo trabalho para encerrar a Quinzena.

Na Plataforma Coreográfica Internacional e Mostra de Videodança, também damos especial destaque aos criadores nacionais.

E temos ainda a projeção de um novo filme de dança coreografado por Clara Andermatt, com realização de antónio gil, resultado de um importante projeto inclusivo desenvolvido pelo projeto “LaB InDança”.

Como surgiu a parceria com a Mostra Espanha 2021? 
A parceria com a Mostra Espanha surgiu pela primeira vez em 2019, e resultou numa excelente combinação de interesses, pelo que este ano reforçamos essa colaboração, que nos traz a Almada coreógrafos que se destacam muito no panorama espanhol.

Falem-nos um pouco da restante presença internacional na Quinzena
Falando das companhias convidadas, já no dia 25 de setembro teremos a Compagnia Bellanda, onde Giovanni Gava Leonarduzzi encontrou uma linguagem de movimento extremamente intrincada e inovadora, convidando o público para seu universo pessoal e mitológico de uma forma muito atraente. Este bailarino e coreógrafo, que veio das danças urbanas e entrou impetuosamente na dança contemporânea, destaca-se pela sua coerência, criatividade e intensidade no palco. Este espetáculo da companhia Bellanda merece toda a atenção, pois promete abrir novas perspetivas pessoais e inesperadas na Dança Contemporânea.

A companhia húngara de Rita Gobi tem despertado o nosso interesse há vários anos. A coreógrafa apresentou-se a solo anteriormente na plataforma coreográfica, com trabalhos muito pessoais e intrigantes. A nova peça, que apresentamos, usa a metáfora de uma competição de natação, e é muito bem conseguida do ponto de vista conceptual. Tem uma performance extraordinária e confronta-nos com o profundo e plurivalente confronto entre os personagens em cena.

Teremos ainda um outro espetáculo que resultará de uma residência do coreógrafo espanhol Jacob Gomez, em parceria com a Mostra Espanha, tal como a estreia do novo programa da Companhia de Dança de Almada, que irá abrir o festival, e que nos promete um espetáculo de luz, cor e movimento centrado na exploração destes mesmos elementos cenográficos e na exploração das qualidades artísticas dos bailarinos da companhia.

A que eventos paralelos poderemos assistir? 
Entre 30 de setembro e 3 de outubro teremos entre nós cerca de 70 profissionais da dança – bailarinos, coreógrafos, técnicos e programadores. Durante esses dias haverá workshops e encontros com a presença destes profissionais, pois pretende-se desenvolver o intercâmbio de experiências e é nosso objetivo que a Plataforma Coreográfica, bem como a Mostra de Vídeodança, sejam uma montra para dar visibilidade e tenham um efeito reprodutor na carreira dos artistas presentes.

Peço-vos um desejo para a dança, para os tempos mais próximos 
Que a dança chegue a camadas de público mais vastas, quer com espetáculos cada vez melhores, quer com o crescimento da acessibilidade, para que todos possam não apenas assistir, como praticar e estar envolvidos na criação artística.

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