Noventa dias para novos caminhos

Por Pedro Mendes

Os últimos três meses foram de excepção. Portugal viveu a pandemia de covid-19 e começou agora, lentamente, a sair dela. Para já, algo é certo: pouco ficou como antes e as mudanças consequentes da pandemia ou operadas a partir dela, são tanto oportunidades como desafios incertos a que temos de dar máxima atenção. Naturalmente, também o Coffeepaste mudou, e é sobre essas mudanças que vos queremos falar.

A crise, que também afectou o nosso projecto economicamente, obrigou-nos a reformular modos de fazer. Repensámos a estratégia editorial, à luz das novas restrições e passámos a criar conteúdos tendo em conta o meio digital. A primeira grande mudança foi a suspensão das entrevistas presenciais em vídeo, que até há pouco tempo eram uma das nossas imagens de marca. Optámos pelo formato escrito e em áudio que, verificamos, também vir a resultar. A par desta mudança crucial num dos nossos conteúdos mais bem recebidos pelo público, houve nestes meses três grandes mudanças que destaco, em termos de conteúdos regulares.

A primeira foi o lançamento (a 1 de Maio) da rubrica “Sotaques”. Nela, os autores Patrícia Portela, Ondjaki, Fernanda Mira Barros e Rui Zink alternam semanalmente crónicas em volta da cultura, em exclusivo para o Coffeepaste.

A segunda foi o lançamento, no final de abril, de um ciclo de conversas online a que chamámos “Coffee Break – Aqueles dois dedos de conversa que podem salvar o mundo”. Realizaram-se, entretanto, cinco conversas, com os mais variados convidados. Na mesa destes coffee breaks já passaram temas como o isolamento, as restrições, o papel das instituições culturais e o futuro. As conversas são emitidas em directo na plataforma Zoom e, depois de um ciclo de 4 em regime semanal, a rubrica passou a mensal.

A terceira novidade foi o lançamento de um podcast com a marca Coffeepaste. Inspirados pelas conversas online, baptizámo-lo de “Coffee Break”. O episódio 0 foi para o ar no final de abril. Os conteúdos incluem entrevistas, debates e leituras encenadas. Estamos a aprender com o processo, e mais conteúdos se seguirão.

Para além destas novidades, estrearam-se no Coffeepaste três novos autores: A escritora Inês Lampreia com a rubrica mensal “Crónicas da Pós-normalidade”, crónicas ficcionadas que exploram temas e problemáticas da actualidade; o ensaísta Ivo Saraiva e Silva (do colectivo Silly Season”) com a rubrica “Fumo e Espelhos”, sobre o acto criativo e suas implicações; e o encenador Jorge SIlva Melo com os textos  “Água dura em pedra mole”, que reflectem sobre a situação dos teatros (e do Teatro) em tempos de crise.

Se para uns, e compreensivelmente, esta crise foi tempo de acalmia e de paragem, para a equipa do Coffeepaste foi um tempo para novas aprendizagens, para reflectir sobre o nosso papel no meio cultural e para nos  reinventarmos. Queremos continuar a fazer mais e melhor, e é para tal que unimos os nossos esforços.

Nestes dias em que vos escrevemos, acontece o gradual regresso às salas de espectáculos, sujeito a medidas apertadas de segurança sanitária. Alguns espaços já reabriram, e em julho decorre o Festival de Teatro de Almada, onde estaremos presentes. Mas sobre este regresso falaremos num próximo texto.

Foto por Aron Visuals.

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