Red Desert Films – Entrevista

logotipoComo surgiu a Red Desert Films?
A Red Desert surgiu pela vontade e necessidade de produzir filmes, nomeadamente documentários de criação. Os dois fundadores, Pedro Neves e Carlos Ruiz, acharam que havia falta de produtoras que se dedicassem ao género documental a nível nacional e mais ainda no norte do país. Com a saída do Carlos, a produtora focou-se ainda mais nos documentários de criação (curtas e longas) e em novas abordagens de filmes promocionais.

Qual tem sido a reacção aos vossos trabalhos?
A reacção tem sido muito boa, mesmo sendo tão complicado produzir em Portugal. Filmes como Os Esquecidos ou o Água Fria tiveram bastante sucesso e foram muito vistos a nível nacional e internacional e ganharam prémios em festivais. O Água Fria, por exemplo, foi seleccionado para mais de 30 festivais internacionais, esteve na competição internacional do maior festival de curtas do mundo, Clermont Ferrand, em França, e ganhou prémios em Espanha (Filmets Badalona, Documenta Madrid, Mecal Barcelona), Marrocos (Martil) e por cá andou nos principais festivais (Vila do Conde e DocLisboa). Foi exibido no Canal Plus France e Afrique, RTP, TVCine, Porto Canal, entre outros e está neste momento no Doc Alliance, o maior canal de documentários online. Os Esquecidos, para além dos festivais (DocLisboa, Extremadoc, Fantasporto), foi muito exibido em circuitos alternativos como cineclubes e escolas, pequenos auditórios e associações para largas centenas de pessoas. O último documentário que produzimos, a Raposa da Deserta, foi recentemente adquirido pela RTP.

Os vossos projectos têm-se focado mais na area do documentário. Têm interesse em explorar outros registos?
O importante é contar uma história que queiramos contar. Embora foquemos a nossa produção essencialmente nos documentários, podemos perfeitamente produzir ficção. Aliás, cinco anos depois de ter começado a ser filmada, acabou finalmente a rodagem da longa de ficção Love Film Festival (com o colombiano Manolo Cardona e a brasileira Leandra Leal nos principais papéis), que foi co-produzida pela Red Desert.

Como escolhem os vossos projectos e as tematicas abordadas nos vossos Documentários?
As temáticas aparecem, seja em recortes de jornais, numa notícia do telejornal, numa história que nos contou um amigo, numa vontade de mudar, de intervir, de fazer algo que provoque reacção e reflexão.

alves-riQuais os projectos actuais da Red Desert Films?
Neste momento temos vários projectos em pré-produção e produção. Um de cariz mais experimental entre o documentário e a ficção chamado Hospedaria 541, cujo realizador recebeu o apoio da Gulbenkian, um outro sobre crianças pugilistas em conjunto com o fotógrafo Paulo Pimenta chamado “Há Boxeurs e Boxeurs Não Há Meio Termo”, outro sobre a relação dos portugueses com o mar e a memória intitulado Mar Bravo, outros sobre as crianças que viviam nos Bidonvilles de Paris e foram fotografadas por Gerald Bloncourt, chamado “Os Meninos dos Bidonvilles”, e ainda uma curta documental que é um olhar sobre a intervenção da troika no nosso país e está integrada no Projecto Troika (www.projectotroika.com), um projecto que está a ser financiado por crowfunding e que é o trabalho de litro fotógrafos e um realizador.

Quais as principais dificuldades de uma produtora como a vossa no panorama actual do cinema português?
A principal dificuldade prende-se, como sempre, com o financiamento dos projectos. Os apoios são reduzidos, não temos tido acesso aos fundos do ICA, os privados raramente apoiam a área do cinema e do documentário de criação. É muito complicado montar uma produção sem dinheiro até porque nenhum de nós vive do ar.

Que conselhos dariam a quem está para se lançar no mercado neste momento?
Perseverança, vontade, paciência, luta e honestidade.

Saibam mais sobre a Red Desert Films em http://www.reddesertfilms.com/

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