Susana Otero – Entrevista

600_susanaoteroEntrevista com Susana Otero, Directora do Ballet Contemporâneo do Norte

Como surgiu o BCN?
O BCN formou-se em 1995 como estrutura amadora sob a direcção de Elisa Worm e Conchita Ramirez onde os seus principais eixos de actividade consistiam na descentralização da dança contemporânea e no investimento no talento local tanto de bailarinos como coreógrafos.
Os anos de 1996 e 1997 foram, para o BCN, de afirmação e desenvolvimento do talento e vontade existentes, o que conquistou a atenção das entidades oficiais, tanto locais como nacionais. Tendo, desde o início, contado com o apoio financeiro da Câmara Municipal de Estarreja, o BCN recebe, em 1997, um subsídio pontual do Ministério da Cultura (IPAE).
A partir de 1996 candidata-se aos concursos de apoio anual do Ministério da Cultura, e passa a ter um apoio anual do estado consignado em Protocolo com o IPAE, actualmente Direcção Geral das Artes. Este Protocolo passou a ser bianual em 2001/2002.

A origem do BCN foi em Estarreja, e estão agora em Santa Maria da Feira. A que se deveu a mudança?
Tal como acontece com todas as estruturas das diversas áreas artísticas, estamos inseridos numa conjuntura social, política e económica que sofre mutações (de 4 em 4 anos) e embora seja uma pressão para as estruturas estamos conscientes que elas acontecem.
Desde a mudança de Estarreja para Santa Maria da Feira (2007) houve uma mudança de paradigma interessante, as estruturas artísticas já não são vistas como uma despesa mas sim como um atractivo de investimento para as regiões, arrastando consigo potencial e crescimento humano além do obviamente económico, e é nesta linha que os autarcas de Santa Maria da Feira se destacam.

Varios dos vossos interpretes tiveram espaço para apresentar criações próprias. É algo que a companhia encoraja?
O BCN encoraja os elementos que tem vontade de criar não sendo uma questão impositiva, mas esta companhia é direcionada à criação e a escolha dos seus elementos são com este cariz que além de serem excelentes bailarinos / intérpretes (Flávio Rodrigues, Bruno Senune, André Mendes e Camila Neves) na maioria são profissionais que tem um interesse na criação. Embora exista potencial criativo dentro do BCN é nossa missão também criar espaço para outros criadores colaborarem com a companhia.

600_pontoTêm um papel activo na divulgação da dança e educação artística na zona do norte do país?
O serviço educativo do BCN ocupa uma grande parte da nossa actividade. Com o apoio da C.M Feira vamos anualmente às escolas da cidade com espectáculos, workshops, laboratórios de férias e laboratórios vocacionais abrangendo desde os infantários até às escolas secundárias. Ainda dentro do serviço educativo temos um protocolo com o Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo no qual resultou a apresentação pública de A Construção dirigido por Pedro Rosa culminando o trabalho de 6 meses dentro do Estabelecimento Prisional. O processo de trabalho foi documentado por Sofia Afonso e Nelson Castro e resulta de um documentário que pretendemos que circule nacionalmente. Vamos iniciar outro projecto desta vez sob a direcção de Joana von Mayer Trindade que vai trabalhar com um grupo diferente de reclusas.

Quais os projectos em que estão actualmente envolvidos?
Este vai ser um ano intenso. A nível das criações vamos trabalhar com a Mariana Tengner Barros, End of Transmission que irá estrear no início de Junho na Mala Voadora, no Porto. A segunda criação (Outros Formatos) será diferente, irá consistir numa open call para criadores trabalharem com a companhia que iremos brevemente anunciar e estreará em Dezembro. No inicio de Fevereiro começa o plano de formação do BCN sob a direcção de Cristina Planas Leitão: “Conquering the studio: a time for research” onde quatro criadores convidam outros quatro- Cristina Planas Leitão, Joana von Mayer Trindade, Pedro Rosa e Andreas Dyrdal – Mala Kline, Lee Meir, Jared Gradinger e Robert Clark-  que terá a participação dos elementos do BCN e será aberto ao público interessado. Tal como referi em cima daremos inicio ao “Paisagens de Ser” de Joana von Mayer Trindade no Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo. Iremos criar uma nova criação infantil “Palletes” de Andreas Dyrdal para integrar o serviço educativo.
Iremos colaborar com os nossos colegas da Orquestra Sinfónica de Jovens da Feira e do CIRRAC numa criação colectiva para o Festival Imaginárius. Para além do acima descrito iremos repôr a nível nacional e internacional  o repertório do BCN. Temos agendado dia 1 de Fevereiro Conspurcados de Joclécio Azevedo em Seia; dia 7 de Fevereiro NIL CITY de Flávio Rodrigues no Guidance, Gumarães; e em Março iremos estrear no Porto o Conspurcados na Mala Voadora.

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