Para palavras do presente com sotaque do passado, que futuro?

Por Isabel Garcez Muito se elogiou o discurso do presidente da República nas comemorações do passado 25 de Abril. Fiquei surpreendida; eu tinha acompanhado os discursos em direto (ou seja: sem edição jornalística) e não me apercebera do quão «notável», «inteligente», «inspirado» e inspirador», etc., etc., etc., tinha sido o discurso do senhor presidente… É […]

Artistas de todo o mundo, uni-vos

Por Isabel Garcez Mesmo que Camões tenha tentado colocar Portugal noutro ponto da anatomia do continente, ao proclamar, n’Os Lusíadas: «Eis aqui se descobre a nobre Espanha[1], / Como cabeça ali de Europa toda», a verdade é que a posição anatómica que quase sempre vingou foi a da cauda continental. Também por isso, os movimentos […]

As moscas

Por Isabel Garcez Como sabemos, estamos num momento civilizacional em que qualquer coisa pode tornar-se famosa de um momento para o outro – ou de um like para 1.293.480 likes em menos de 15 minutos. E recentemente, se ainda fosse preciso comprová-lo, uma mosca demonstrou-nos isso mesmo. Muitos comentários, memes e afins se fizeram acerca […]

As abelhas e os arquitetos ou uma carta aberta aos Antónios

Por Isabel Garcez o que distingue, de antemão, o pior arquitecto da melhor abelha é que ele construiu o favo em sua cabeça, antes de construí-lo em cera (Karl Marx. O Capital. 1996. São Paulo: Editora Nova Cultural Lda.) Como se sabe, o primeiro-ministro António Costa convidou o gestor António Costa Silva para elaborar um […]

Os cães e os ossos no setor da cultura

Por Isabel Garcez Estou a preparar uma candidatura a um concurso do setor da cultura e senti-me necessariamente solidária com os muitos quase todos que vivem atrás dos muito quase sempre poucos concursos na área da cultura. O equilíbrio difícil entre o otimismo obrigatório (ou não concorreríamos, acreditando que podemos vencer algum) e o pessimismo […]

Os livros, afinal, não nascem nas prateleiras

Por Isabel Garcez As Novas Cartas Portuguesas tiveram a sua primeira edição em 1972, pela Editorial Estúdios Cor. A Editorial Estúdios Cor já foi uma referência no meio literário português. Publicou nomes maiores quando ainda não eram nomes maiores. Como foi o caso destas autoras, embora Novas Cartas Portuguesas não tenha sido o primeiro livro […]