Teatro Bruto – Entrevista

Foto de João Tuna

Foto de João Tuna

Esta semana falamos com Ana Luena, Directora Artistica do Teatro Bruto.

Como surgiu o Teatro Bruto?
O Teatro Bruto surge em 1995, num encontro de alunos da Academia Contemporânea do Espectáculo, no Porto. Esse grupo de estudantes eram de diferentes áreas – interpretação, luz, figurinos e cenografia  – e juntaram-se para formarem uma companhia, que se chamaria Teatro Bruto e que se estreou com Tristerra, um espectáculo sobre Trás os Montes, a partir de contos de Miguel Torga, apresentado na Capela Carlos Alberto, nos Jardins do Palácio de Cristal, no Porto.

Que balanço fazem desde a vossa criação até agora?
O Teatro Bruto completa 20 anos em 2015,  a companhia sempre teve uma atividade regular desenvolvendo e apresentando diferentes projectos que consolidaram o projecto artístico da companhia e a sua identidade.
Começámos a trabalhar na companhia com vinte e poucos anos e agora já estamos nos quarentas. É de imaginar que por essa razão o projecto do Teatro Bruto é também um projecto de vida e crescimento. Inevitável e saudável foram todas a restruturações que a companhia tem sofrido, a nível da equipa, de colaborações artísticas e de estratégias de gestão. Infelizmente o investimento na cultura e neste caso na nossa companhia, não acompanhou a qualidade e inovação que sempre caracterizaram os espectáculos do Teatro Bruto e que fizeram desta companhia uma das referências teatrais da cidade do Porto.

Que filosofia está por trás do Teatro Bruto? Que tipo de textos procuram?
O Teatro Bruto sempre investiu nas novas dramaturgias portuguesas e nestes últimos anos (2007 a 2014) convocou a colaboração de escritores oriundos de outras áreas da literatura, nomeadamente o poeta Daniel Jonas e o romancista Valter Hugo Mãe. Desafiando-os a estrearem-se na escrita dramática, envolvendo-os num processo de colaboração estreita com o Teatro Bruto, e comigo enquanto encenadora e diretora artística do Bruto. Esse trabalho passa pela escrita original de textos, a partir de temas  abordados nos ciclos de reflexão que o Teatro Bruto se propõe.
Há um forte investimento na componente musical dos espectáculos produzidos pela companhia. Apostando na composição de música original e interpretada ao vivo, criando uma dramaturgia cénica e músical que serve a encenação do espetáculo. Colaborando com músicos da cidade do Porto, como Alexandre Soares, Ana Deus, Rui Lima, Sérgio Martins e actualmente com o Peixe.
Temos ainda desenvolvido um trabalho de formação que envolve diferentes grupos da comunidade em processos de criação cénica onde se opta por adaptações de textos de autores portuguesas para a cena.

Como descreveria o panorama cultural portuense actualmente?
Penso que estamos numa fase de muita indefinição e bastante irregular, devido à falta de financiamento às atividades culturais e às mudanças políticas. No entanto sinto um maior interesse e acompanhamento do público à programação apresentada na cidade.
Penso que o Porto está numa fase de crescimento e precisa de uma programação cultural mais intensa e à altura da cidade em que se transforma. Mas é preciso haver um maior investimento e rentabilização de projectos e espaços culturais.

O que destacaria nesta temporada do Teatro Bruto?
Não posso deixar de celebrar nomeando o nosso último espetáculo, apresentado em março no TeCA, uma adaptação do romance O filho de mil homens, de Valter Hugo Mãe, que envolveu um grupo de ex-alunos dos laboratórios de formação da companhia, que teve música original e interpretada ao vivo pelo Peixe, a participação do ator Rodrigo Santos, incorporando a personagem de um homem da rádio e músico, os já habituais atores Pedro Mendonça e Margarida Gonçalves e a participação dos atores Paulo Mota, Luís Puto e Joana Carvalho.  Um processo e resultado muito representativo do projecto complexo e amplo que é o Teatro Bruto.
Em setembro é a não perder o espectáculo Comida, apresentado na Casa do Vinho Verde, um palacete na Rua da Restauração. E no final do ano o monólogo da atriz Margarida Gonçalves no espaço da companhia Mala Voadora, na rua do Almada , no Porto.

Qual foi experiência mais positiva que tiveram até agora?
Posso dizer que temos tido várias. Mas posso destacar o concerto encenado Still Frank (2010) e a ida a Macau com o espectáculo Canil (2013).

Qual a medida que gostaria de ver implementada pelo secretário de estado da cultura já amanhã?
Um maior investimento financeiro e estratégico afirmando uma política que aposta na cultura como uma das áreas fundamentais para a evolução de um país.

Saibam mais sobre o Teatro Bruto em http://www.teatrobruto.com/

Comments

  1. Domingos de Sosa says

    Uma companhia de escassos recursos financeiro que nos seus quase vinte anos de actividade desenvolveu sempre projectos integradores de grande qualidade. Valorizou-se, valorizando todas as áreas que integram a arte da representação teatral, a escrita, a dramaturgia, o som, a luz, a cenografia os figurinos e finalmente a encenação.

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