uma gigantesca borboleta de areia

Por Ondjaki

há dias em que os sonhos nos trocam a pele, aprendemos assim a respirar debaixo de tanta areia, como que imitando a água; baile livre e lento, se o corpo fosse (um) devagar n(um)a dança onde a areia fosse quase o meu corpo ou preso ou móbil; uma, digamos assim, gigantesca borboleta de areia vista de cima, um ser dançante, uma mancha no deserto que provocasse candura e equilíbrio às pessoas, aos pilotos e aos pássaros; o movimento de um peixe que, sem saber, pudesse inventar simetrias nos caminhos inescritos da água.
cumprir-se-ia assim o leve pressentimento de que aquilo já havia sido dançado em outras águas (muito antes) e, depois, em muitas outras chuvas.

ondjaki (luanda/angola). escreve para contar, e às vezes sonha poemas.
gosta de lesmas, borboletas e do sal dos sonhos.

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